“Repete nossa época colonial”, afirma Dr. Lauro Pontes sobre veto ao cultivo de Cannabis pela Anvisa

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Lauro Pontes é doutor em psicologia pela UERJ, pesquisador e professor de neurofisiologia, psicopatologia, toxicomanias e psicologia social na USU. Coordenador da Associação Brasileira para Cannabis, Abracannabis. Coordenador do curso de pós graduação latu sensu em sistema endocanabinoide da USU. Autor do livro 'Maconha Terapêutica: Controvérsias, Versos e Vivências'

Por Lauro Pontes

A rachadura na represa

Houve uma época que um país, que sentia orgulho em bradar que eram os defensores da moral e bons costumes da família tradicional brasileira, ao mesmo tempo eram recordistas em fazer tudo aquilo que criticavam. Esse país construiu uma enorme represa para deter o avanço da informação.

Era uma represa muito bem construída, sob anos e anos de dominação, desde aquela invasão em 1500…

O inimigo estava desenhado ardilosamente. A cor dele era preta, embora desse para ver o vermelho de seu sangue, como se uma cor fosse a consequência da outra. E assim, movimentavam um mercado sem-fim.

No meio disso tudo, dos seres vivos que existem naturalmente, um deles está ao nosso lado desde que domesticamos as plantas. Pois essa planta foi posta bem no fundo da represa, amarrada a um peso e uma corrente grossa. Ali, injustiçada ela ficou.

Um ou outro conseguia alcançá-la de vez em quando. Pela distancias, poucos se prontificaram a ajudá-la. Mas quando esse assunto se conectou em rede, ela ressurgiu como a salvação para muitos, que junto com aqueles que nunca a esqueceram, começaram com um martelo bem pequeno a bater na parede da represa.

Foi bem devagar. Muitos caíram pelo caminho, e tantos outros foram dar manutenção na parede em vez de ajudar a derrubá-la. Anos se passaram, até que no dia 3 de dezembro de 2019, uma minúscula fissura se abriu.

Não serviu pra nada!

Deixou quem não tem equipamento de mergulho mais longe ainda da planta e facilitou só para quem já tinha equipamento, afinal é um esporte para alta classe (e que acha que a água é dela).

Os construtores de represas até comemoram, porque acharam que a rachadura era prova de que a represa pode rachar mas não arrebentar. Mandaram por uma torneirinha que só abre passando o cartão de crédito.

Contudo, toda mudança de paradigma só ocorre porque a anterior uma hora fica velha e deixa um fio solto. Essa pequena rachadura acabou por provocar na população uma indignação coletiva: para que uma represa que não tá gerando nada? Por que eu preciso comprar energia de outros países se basta eu colocar umas turbinas, para, de forma controlada e regulada, deixar essa água passar e gerar a nossa própria energia? Por que tenho que pagar para alguém de fora algo que posso fazer por 10% do preço que querem q eu pague? Por quê?

Isso que era práxis nesse país foi a gota d’água que fez a represa rachar de vez. Uma obra emergencial foi feita, instalando-se (finalmente!) turbinas que geravam a nossa própria e barata energia.

Também não era apenas o inteligente a ser feito, era porque o oposto era burro. Isso virou o óbvio e se ao nos depararmos com o que é óbvio e tivermos que ensinar o óbvio, ou pior lutar por ele.

Existe algo muito mal formado na sociedade que deve ser rachado, mudado, deposto. Está datado, não faz sentido, me ofende, me imbeciliza, me trata como incapaz de saber o que é melhor para mim. E por quê?

As autoridades nos compreendem como inferiores? Não acham que conseguimos fazer algo à altura do que lá fora é suplemento alimentar? Que complexo de beija mão é esse que repete a nossa época colonial de querer comprar pronto o que podemos produzir aqui.

Um país que tem a Amazônia vai importar uma planta medicinal que dá em qualquer lugar? Para quebrar a represa temos então que ecoar juntos para produzir a massificação de uma simples pergunta: SE PODEMOS IMPORTAR PORQUE NÃO PODEMOS PRODUZIR?

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