Câmara municipal de Campos dos Goytacazes (RJ) aprova distribuição do canabidiol pela rede pública de saúde

O projeto, que ainda passará por sanção do prefeito, tem por objetivo oferecer gratuitamente óleo da planta para quem não tem condições de arcar com o tratamento

Câmara municipal de Campos dos Goytacazes (RJ) aprova distribuição do canabidiol pela rede pública de saúde
Câmara municipal de Campos dos Goytacazes (RJ) aprova distribuição do canabidiol pela rede pública de saúde

Por redação Sechat

Na última quarta-feira (23), após uma longa discussão em plenário, a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, região norte do estado fluminense, aprovou a comercialização e distribuição de canabidiol (CBD), derivado da cannabis, podendo fazer parte, caso promulgada pelo atual prefeito Wladimir Garotinho, das atribuições da secretaria municipal de saúde do município. 

Considerado polêmico, o Projeto de Lei 81/2022, de autoria dos vereadores Leon Gomes (PDT) e Fábio Ribeiro (PSD), dispõe sobre a democratização do acesso dos derivados da cannabis para fins medicinais e, apesar de um voto contrário e de três abstenções, a maioria dos vereadores aprovou a inclusão do canabidiol na lista de compras da rede pública, para ser oferecido a pacientes sem condições o de pagar pelo produto. 

A comercialização do medicamento no Brasil foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 22 de abril de 2020, e publicada no Diário Oficial. No plenário, o vereador Leon Gomes enfatizou a importância do projeto para dar qualidade de vida para várias pessoas que têm alguma deficiência e necessitam da medicina alternativa..

“Desde 1829 é pesquisado o uso medicinal da cannabis. Sua aplicação para epilepsia deu melhores resultados do que os remédios convencionais. Apresentamos mais do que uma medicação, uma oportunidade de vida”, destacou o vereador.

Durante a sessão, foi exibido um vídeo de uma mãe que usa o medicamento feito à base de cannabis no filho, de dois anos, que sofre da Síndrome de West, uma doença rara. “A criança perde os movimentos, fica em estado vegetativo. O óleo foi prescrito para meu filho. Após mais de um ano, ele apresenta e controla os movimentos, além de emitir emoções. São algumas gotinhas diárias. Isso é quase um milagre na vida do meu filho”, afirma Aline, mãe do paciente.

Para Leon Gomes, o uso medicinal da cannabis traz qualidade de vida para quem usa e para toda a família que sofre, muitas vezes, com noites sem dormir. “A indústria farmacêutica está incomodada, pois o uso do canabidiol tem surtido efeito para várias doenças”.

Já o vereador Anderson de Matos (Republicanos) votou contrário ao Projeto de Lei e justificou que considera a decisão científica e não política. “Há correntes de profissionais de saúde que afirmam que a cannabis medicinal não existe. Autoridades precisam fornecer mais informações para que a sociedade possa discutir. Isto foi dito pelo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio da Silva. O uso da cannabis e seus derivados pode provocar reações positivas, mas também negativas”, ponderou.

Os vereadores Abdu Neme, Helinho Nahim, Silvinho Marins, Álvaro Oliveira e Bruno Vianna defenderam na tribuna a aprovação do projeto. Um dos parlamentares que se absteve foi Marquinho Bacellar. “Pela complexidade do tema não consigo entender, não cheguei a um consenso após conversar com alguns médicos”, disse.

Álvaro Oliveira, também vereador da cidade, frisou a necessidade de ajudar famílias pobres que precisam da medicação. “Não estamos discutindo o uso recreativo da maconha. É um caso de saúde pública. O Projeto de Lei merece elogios”. 

Após uma hora de discussão, o PL foi aprovado. O presidente da CMCG e um dos autores da proposta, Fabio Ribeiro, agradeceu aos que aprovaram. "Procurei a Secretaria de Saúde para orientação na confecção do texto desde o início. Contei com o apoio da doutora Bruna e do vereador Leon, que fez uma audiência pública e nos ajudou a esclarecer e facilitar o acesso das pessoas ao medicamento”, concluiu.