A Mulher Irritantemente Feliz

A Mulher Irritantemente Feliz

Cientistas investigam o raro caso de Jo Cameron, a escocesa que não sente dor nem ansiedade, e descobrem mutações genéticas ligadas à “molécula da felicidade” | CanvaPro

Publicado em 30/11/2025

Imagine só se eu te dissesse que é possível viver sem sentir nenhuma dor e também sem nunca se sentir ansioso. Talvez você dissesse que isso é impossível.


Pois essa pessoa existe na vida real e se chama Jo Cameron, uma escocesa que, segundo o próprio marido, é irritantemente feliz.


Jo é a única mulher conhecida no planeta com duas mutações genéticas raras, que a tornam praticamente insensível à dor e à ansiedade, além de conferir a ela uma recuperação celular acelerada.


Em 2013, durante uma cirurgia, o anestesista se surpreendeu quando a paciente afirmou que não sentia dor. O médico Devjit Srivastava encaminhou o caso a geneticistas que estudam a dor na University College London (UCL) e na Universidade de Oxford, ambas no Reino Unido. Foram necessários cerca de dez anos de pesquisas para que os cientistas pudessem compreender sua mutação genética.


Os pesquisadores identificaram uma mutação no gene FAAH-OUT. Essa alteração “reduz” a expressão do gene FAAH, que está ligado à dor, ao humor e à memória, e também diminui a produção da enzima FAAH.


Essa enzima normalmente é responsável por quebrar a molécula anandamida — conhecida como a substância da felicidade em humanos. No entanto, em Jo, ela não atua de forma adequada, o que faz com que a escocesa tenha níveis mais elevados de anandamida no corpo do que o normal.


Além de explicar a ausência de dor, os cientistas observaram que a mutação também influencia a cicatrização de feridas e o equilíbrio do humor, revelando novas vias moleculares envolvidas nesses processos.


Mas o que é a anandamida?


A anandamida é um neurotransmissor endocanabinoide, conhecido como “molécula da felicidade”. Ela atua no organismo promovendo sensações de bem-estar e regulando funções como humor, sono e dor.


Sua importância está no papel que desempenha na modulação emocional, na redução da ansiedade, no controle da dor e na promoção de um sono saudável.


A anandamida age no cérebro e no sistema nervoso periférico, ligando-se a receptores específicos, os receptores canabinoides, que estão envolvidos em diversas funções fisiológicas essenciais.


Referências


Dalcero, Brenda Luísa. O jornalismo internacional no Fantástico: a interpretação de outras realidades por meio da grande reportagem.


BBC News Brasil – “A mulher irritantemente feliz que não sente dor nem ansiedade”


Rozeira, C. H. B. et al. (2024). Quando os nervos gritam: Uma abordagem neurobiológica da dor. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(3), 844–864. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n3p844-864


Guerra, Mirian Elisa Rodrigues. Investigação do modo de ação independente de receptores do endocanabinoide anandamida por dinâmica molecular. 2019.

 Biografia do Autor Carolina Rosa
Carolina Rosa

A Dra. Carolina Rosa é médica de família pelo Hospital de Amor, com atuação focada em saúde mental, pós graduanda em psiquiatria pela Famerp. Dedicada ao cuidado de mentes ansiosas e famílias atípicas. É estudiosa do uso clínico de cannabis medicinal e utiliza fitocanabinoides como parte da sua abordagem terapêutica, baseada em ciência e empatia, para promover mais qualidade de vida e bem-estar aos seus pacientes. Seu trabalho une conhecimento técnico, escuta acolhedora e cuidado real, sempre com foco na individualidade de cada pessoa.