Cannabis como adaptógeno

O termo "adaptógeno" refere-se a compostos (sejam plantas, extratos ou substâncias sintéticas) capazes de aumentar a resposta do corpo humano a situações de estresse, sem elevar as taxas de consumo de oxigênio. Eles melhoram o sono, a imunidade, o raciocí

Publicado em 12/05/2024
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O estilo de vida moderno e a alta frequência das demandas da vida requerem muitas vezes mais de nossa saúde física e mental do que podemos suportar. O organismo acaba, então, passando mais tempo tentando se recuperar do que em descanso de fato, causando inflamação crônica e outras desordens. Imagine só quando se trata de atletas de elite. Existem algumas dicas de estilo de vida, como terapias, meditação, saunas, exercícios, que podem de fato auxiliar. Mas a comunidade médica já vem há anos utilizando compostos chamados de adaptógenos para otimizar o funcionamento do corpo. A Cannabis, particularmente, e outras plantas, são capazes de atuar em sinergia, auxiliando e tratando, utilizados empiricamente na medicina tradicional e já validados por parte da comunidade científica. Infelizmente, ainda se carece de mais estudos para serem protocolados, pois é difícil padronizar extratos naturais e adquirir financiamento nos estudos.

O estresse crônico pode colocar a glândula adrenal em cheque, comprometendo o sistema nervoso, essencial para manter o organismo em homeostase (condição onde tudo está em equilíbrio). É capaz de inibir a função imune, aumentando a susceptibilidade a agentes invasores como vírus e bactérias. Além do mais, afeta a mente, deixando uma grande brecha para doenças como depressão e ansiedade generalizada.

Pensando no sistema endocanabinoide, uma rede de receptores e compostos produzidos endogenamente, que é responsável pelo equilíbrio de uma maneira geral, permitindo um bom funcionamento do metabolismo. Controla o humor, o apetite, a função sexual, o sono, a dor, a imunidade, entre outros. Quando alguém está sujeito ao estresse crônico, o sistema endocanabinoide pode estar desregulado, levando um indivíduo a ter alterações que podem ser consideradas doenças, como percepção da dor e cansaço excessivo.

A Cannabis é uma planta que tem potencial de atingir diversos alvos terapêuticos. Pode ser considerada adaptogênica, pois atua na redução de ansiedade e de estresse e melhora do sono, por exemplo. Desta forma, o organismo fica menos sujeito aos efeitos crônicos que estas questões originam, como o desbalanço hormonal e de neurotransmissores. Assim, o corpo é capaz de suportar melhor as atividades e condições adversas. Como é também conhecida por seus fitoquímicos antioxidantes, reduz o estresse oxidativo gerado pela prática esportiva e otimiza a recuperação. Ainda, devido aos seus canabinoides, terpenos e flavonoides antiinflamatórios, recupera também lesões e auxilia no acúmulo de lactato. O canabidiol, devido à sua capacidade de ligar-se aos receptores CB2, regula a imunidade. Alguns dos terpenos de sua composição, como o d-limoneno, também são imunoestimulantes.

Apesar de tudo isto, assim como a maca peruana e outros fitoterápicos, exige atenção com o fígado e sua sobrecarga. O organismo processa os canabinoides através deste órgão, e a remoção total destes compostos pode levar diversos dias. Dosar as enzimas hepáticas de tempos em tempos é necessário, além de cautela com outros compostos que estejam sendo utilizados juntamente com estas plantas. Obviamente, para verificar o que é mais indicado para você e como proceder, uma recomendação e acompanhamento de profissional da área da saúde é essencial.

Cada uma das plantas normalmente utilizadas como adaptogênicos tem algum tipo de especificidade. Por exemplo, a maca peruana é altamente recomendada para aqueles que realizam um esporte de endurance em elevadas altitudes ou para melhorar a produção dopaminérgica. Os diferentes tipos de ginseng são utilizados para fadiga e são muito utilizados por populações mais idosas. A Rhodiola rosea (apesar de não recomendada para quem tem pressão alta) e o fungo Cordyceps são excelentes para baixar os níveis de cortisol. Já a Ashwagandha é tradicionalmente aplicada em casos de insônia e de testosterona baixa.

 

Referências Bibliográficas

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Imagem do colunista Adriana Russowsky
Adriana Russowsky

Adriana Russowsky integrou o mercado canábico logo nos primeiros anos em que a medicina com Cannabis iniciou no país, pois devido seus estudos aprofundados e acadêmicos de fitoterapia, voltou seu olhar para as terapias com plantas e nutrientes, e utilizou como base sua experiência profissional e estudos em medicina integrativa. Hoje compõe e realiza estratégia os protocolos que desenvolveu e criou, dentro de empresas de comercialização de cannabis e de clínicas canábicas no país, e acredita que devem as instituições científicas e educacionais melhor informar os futuros médicos e outros profissionais desta necessidade de conhecimento, ampliando acredita o correto acesso a comunidade.