
Ciência e colaboração: os marcos da 36ª edição do International Cannabinoid Research Society
Congresso realizado em Dijon evidenciou a maturidade do setor, unindo pesquisa básica, inteligência artificial e prática clínica para acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos
Publicado em 12/07/2026Participar de um congresso internacional é sempre uma oportunidade de atualização. Mas alguns eventos conseguem ir além, tornando-se espaços onde ciência de ponta, colaboração e troca de experiências acontecem de forma genuína. Foi essa a impressão deixada pela 36ª edição do International Cannabinoid Research Society (ICRS), realizada em Dijon, França.
O programa refletiu a maturidade que a pesquisa em canabinoides alcançou nas últimas décadas. Ao longo de quatro dias, foram discutidos desde mecanismos moleculares e descoberta de novos alvos terapêuticos até ensaios clínicos, farmacologia translacional, inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento de fármacos, neurociências, metabolismo, dor, doenças inflamatórias, câncer e medicina baseada em evidências. A programação também contemplou sessões dedicadas à química medicinal, biologia química, farmacologia, pesquisa clínica e ciência regulatória, mostrando como diferentes áreas convergem para responder às mesmas perguntas científicas. Ficou evidente que a área evolui para uma abordagem cada vez mais translacional, aproximando a pesquisa básica das aplicações clínicas e do desenvolvimento farmacêutico.
Outro aspecto marcante foi a organização do evento. As atividades transcorreram de forma extremamente fluida, com sessões temáticas bem estruturadas, conferências magnas, apresentações orais, comunicações rápidas e sessões de pôsteres. Esse formato favoreceu a divulgação de resultados e as discussões entre pesquisadores.
O maior legado de um evento é mostrar que os grandes avanços científicos não surgem de esforços isolados, são resultado da integração entre diferentes especialidades, instituições e países. Em uma área tão dinâmica quanto a pesquisa com canabinoides, encontros internacionais desse porte aceleram a circulação de conhecimento, aproximam pesquisadores e ajudam a transformar descobertas laboratoriais em benefícios concretos para os pacientes.
A pesquisa em canabinoides vive um momento de grande expansão!

Priscila Gava Mazzola*, é professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF/Unicamp). Formada pela USP/SP, com doutorado em tecnologia-bioquímica farmacêutica e habilidades aprimoradas no MIT. Dra. Priscila também é especialista em medicamentos tópicos e transdérmicos, utilizando em seus trabalhos ativos naturais (inclusive resíduos) e sintéticos. Atualmente explora os poderes terapêuticos da cannabis medicinal, desenvolvendo novos medicamentos para ampliar o arsenal terapêutico nacional.