
Onde você está define aonde você chega: o papel dos ambientes no mercado da cannabis
A presença em grandes eventos do setor, como a Cannabis Fair e o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, se tornou fator decisivo para geração de oportunidades e fortalecimento de autoridade no mercado
Publicado em 29/03/2026
A verdade é simples, mas pouca gente quer encarar: não basta estudar sobre o mercado da cannabis, é preciso estar nele. E estar, aqui, não é apenas acompanhar notícias ou fazer cursos online. É ocupar espaços. Circular. Ser visto. Ser lembrado. É um mercado cujo ambiente não é só cenário, é estratégia.
O mercado não se constrói no isolamento
Digo isto porque o mercado da cannabis não se constrói no isolamento. Existe uma ilusão muito comum, especialmente entre advogados e advogadas em início de atuação no Direito Canábico, que é a ideia de que o domínio técnico, por si só, será suficiente para atrair clientes e oportunidades. Não será.

O conhecimento é a base, o conhecimento liberta! Mas convenhamos, o mercado se constrói é na conexão. E conexão, por sua vez, não nasce no silêncio, nasce no encontro. Feiras, congressos, eventos setoriais, reuniões institucionais, encontros informais… são nesses espaços que o mercado se movimenta de verdade.
É onde você entende as dores reais, onde você identifica oportunidades antes delas se tornarem óbvias, é onde você deixa de ser apenas mais um nome e passa a ser uma presença.
Ambiente é posicionamento
No fim, ambiente é posicionamento mesmo quando você não percebe. Cada evento que você escolhe participar – ou deixar de participar – comunica algo sobre você. Quem está nos espaços certos começa a ser associado, naturalmente, àquele ecossistema, e isso tem um impacto direto no posicionamento de marca do profissional, porque posicionamento não é só o que você fala nas redes, é onde você aparece, com quem você se relaciona e como o mercado passa a te enxergar.
No Direito Canábico, isso é ainda mais sensível, já que estamos falando de um setor em construção, com alta densidade relacional e onde confiança é moeda central. Nele, você não constrói autoridade apenas publicando conteúdo, mas também sendo reconhecida por quem já está no jogo.
Networking que gera oportunidades reais

Assim, obviamente que o networking não pode se resumir a troca de cartões. Tem que haver construção de confiança, de relações, escuta com atenção, compreender o momento do outro e enxergar como você pode contribuir.
No mercado e na advocacia da cannabis, muitas oportunidades não nascem de propostas formais, nascem de conversas, de um café entre painéis, de um encontro despretensioso no corredor, de uma troca genuína que, semanas depois, se transforma em um contrato, uma parceria ou um convite.
Advogadas e advogados ainda têm muita resistência em relação à prospecção, mas a verdade é que, no mercado da cannabis, prospecção não é sobre vender, é sobre se posicionar com clareza diante das pessoas certas, e isso acontece, de forma muito mais natural, nos ambientes onde o seu público já está. Associações, startups, clínicas, farmácias, laboratórios, pesquisadores, investidores. Quando você circula nesses espaços, você deixa de correr atrás do cliente e passa a ser encontrada por ele.
Quem não aparece, não é lembrado
Eu sei que pode parecer duro, mas é real que quem não aparece, não é lembrado. Você pode ser uma excelente profissional, com profundo conhecimento técnico, atuação impecável e resultados concretos. Mas se o mercado não te vê, ele não te acessa. E no Direito Canábico, especialmente, o crescimento é acelerado e as oportunidades surgem com rapidez, logo, estar fora dos ambientes é, muitas vezes, estar fora do jogo.
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Eventos como aceleradores de trajetória
É por isso que eu acredito que o ambiente certo acelera trajetórias e participar de eventos não é custo, é investimento. É ali que você antecipa tendências regulatórias, entende os movimentos do mercado, fortalece sua rede de contatos, gera novas oportunidades de atuação, consolida sua autoridade profissional e, principalmente, encurta caminhos. O que levaria anos para acontecer de forma isolada, pode acontecer em poucos meses quando você está inserido nos ambientes certos – especialmente em espaços já consolidados do setor, como a Cannabis Fair e o Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, que hoje funcionam como verdadeiros pontos de encontro do ecossistema e proporcionam uma imersão real em networking, tendências e oportunidades.
Conclusão: escolha onde você quer estar
Escolha onde você quer estar. O mercado da cannabis no Brasil não está pronto, ele está sendo construído agora e essa construção não acontece só nos tribunais ou nas resoluções da Anvisa. Ela acontece nos encontros, nas trocas e nos ambientes onde as pessoas certas se conectam.
Por isso, a reflexão que fica não é se você deve participar desses espaços. É em quais ambientes você está escolhendo construir a sua trajetória? Porque, no final, o lugar onde você decide estar define o lugar onde você vai chegar.
Veja o vídeo:

Carla Coutinho é advogada e ativista com atuação destacada no direito canábico. CLO da Liamba Comitiva, com foco na área de Desenvolvimento e Pesquisa, e diretora da associação de pacientes Reconstruir Cannabis, é especialista em habeas corpus para cultivo medicinal e ações cíveis relacionadas ao acesso à cannabis terapêutica. Atua na defesa dos direitos fundamentais à saúde, à dignidade e à justiça social.
