Associações e parcerias públicas podem ampliar acesso à cannabis medicinal no Brasil
Durante participação no Deusa Cast, Pedro Sabaciauskis, da Santa Cannabis, destacou o papel das políticas públicas estaduais e das associações de pacientes na ampliação do acesso à cannabis medicinal, defendendo modelos colaborativos com o setor produtivo
Published on 06/09/2026

A construção de políticas públicas estaduais aliadas a parcerias com associações e o setor produtivo pode ser um caminho viável para ampliar o acesso à cannabis medicinal no Brasil. A avaliação é de Pedro Sabaciauskis, da Santa Cannabis, durante participação no Deusa Cast, ao discutir os desafios e oportunidades do setor no país.
Clique aqui para assistir:
Segundo ele, um modelo colaborativo poderia viabilizar pesquisa, produção e distribuição sem impacto direto nos cofres públicos. “Pesquisa através de uma política pública de saúde estadual que fomente junto... que o governo estadual chancele isso, as associações entrem com conhecimento, acolhimento, controle de qualidade, treinamento e o setor produtivo entre com a verba”, afirmou.
A proposta também abre espaço para discutir alternativas ao fornecimento tradicional via Sistema Único de Saúde (SUS). Embora reconheça entraves regulatórios, como a inclusão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), Sabaciauskis sugere caminhos paralelos. “Eu acho difícil por causa do RENAME, mas através de uma parceria estadual... esse remédio pode ser distribuído de forma gratuita no posto de saúde com custo muito mais baixo, gerando emprego e renda e principalmente pesquisa”, destacou.
O avanço das pesquisas no Brasil reforça o potencial do setor. De acordo com ele, apenas a Santa Cannabis participa atualmente de dezenas de estudos. “Só a Santa Cannabis tem 41 pesquisas acontecendo com universidades públicas e privadas”, disse, apontando que o interesse científico nacional supera, em muitos casos, o das grandes corporações.
Outro ponto central é a coexistência de diferentes formas de acesso à cannabis medicinal, como associações, importação e indústria farmacêutica. Para Sabaciauskis, esse modelo híbrido não apenas é possível, como necessário. “As vias de acesso podem coexistir nesse mercado? Claro, não só podem como devem”, afirmou.
O debate ocorre em um momento de intensificação das discussões regulatórias no Brasil, com associações ganhando protagonismo na articulação política e na garantia de acesso a tratamentos. A tendência, segundo especialistas, é que o país avance para modelos mais integrados, combinando inovação científica, regulação e inclusão social no acesso à saúde.
Diante desse cenário, o papel das associações de pacientes se consolida como peça-chave na estruturação de um sistema mais democrático e eficiente, capaz de atender à crescente demanda por terapias à base de cannabis no país.
