Atletas recorrem a psicodélicos em busca de bem-estar, enquanto ciência investiga impactos no desempenho

Substâncias psicodélicas vêm despertando interesse entre atletas e pesquisadores, especialmente por seus possíveis efeitos na saúde mental. No entanto, especialistas alertam que ainda não existem evidências clínicas capazes de comprovar melhora do desempenho esportivo

Published on 06/16/2026

Atletas recorrem a psicodélicos em busca de bem-estar, enquanto ciência investiga impactos no desempenho
Estudos investigam os possíveis impactos dos psicodélicos na saúde mental e no desempenho de atletas | CanvaPro

 

A relação entre psicodélicos e esporte de alto rendimento começa a ganhar visibilidade em diferentes partes do mundo. Impulsionadas pelo crescente interesse científico em seus potenciais efeitos sobre saúde mental, substâncias como psilocibina, ayahuasca, LSD e MDMA passaram a despertar a atenção de atletas e profissionais ligados ao alto rendimento.

Mas, apesar da crescente popularidade, a ciência ainda não encontrou evidências que comprovem uma melhora direta da performance esportiva.

Segundo reportagem publicada pelo portal Cáñamo, pesquisadores vêm observando o aumento do interesse por psicodélicos em ambientes esportivos, especialmente em contextos relacionados ao gerenciamento do estresse, ansiedade e pressão psicológica enfrentados por atletas de alto nível.

 

Saúde mental de atletas impulsiona interesse científico

O debate ganhou força após a publicação de um artigo na revista científica Acta Neuropsychiatrica, que analisou o potencial papel dos psicodélicos na prática esportiva.

Os autores destacam que atletas frequentemente convivem com altos níveis de pressão, estresse e desafios emocionais, fatores que podem aumentar a vulnerabilidade a condições como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Nesse cenário, terapias assistidas por psicodélicos passaram a ser observadas como uma possível ferramenta de apoio à saúde mental.

Segundo os pesquisadores, embora existam evidências crescentes sobre benefícios terapêuticos dos psicodélicos para alguns transtornos mentais, os efeitos dessas substâncias sobre indicadores esportivos continuam amplamente desconhecidos.

 

O que diz a ciência?

Um dos principais pontos destacados no estudo é justamente a ausência de evidências clínicas que demonstrem ganhos de performance.

De acordo com a publicação científica citada pelo Cáñamo, ainda faltam pesquisas capazes de avaliar de forma consistente os impactos dos psicodélicos sobre parâmetros como força muscular, coordenação motora, resistência física, capacidade cardiorrespiratória, fadiga, equilíbrio hormonal e recuperação muscular após exercícios intensos.

Ainda de acordo com o site Cáñamo, a discussão também envolve aspectos regulatórios. Atualmente, a Agência Mundial Antidoping (WADA) não inclui a maior parte dos psicodélicos clássicos em sua lista de substâncias proibidas, com exceção do MDMA, enquadrado como estimulante.

Os pesquisadores defendem que o tema ainda está em estágio inicial de investigação. Embora alguns estudos apontem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas em determinadas substâncias psicodélicas, ainda não existem dados suficientes para afirmar que esses efeitos possam resultar em vantagens esportivas concretas.

A conclusão dos especialistas é que novas pesquisas serão necessárias para compreender se os potenciais benefícios observados na saúde mental podem, de alguma forma, influenciar a prática esportiva, sempre dentro de critérios de segurança, ética e regulamentação.

 

Fonte: conteúdo originalmente publicado pelo portal Cañamo.