Grupo de trabalho pela regulamentação da cannabis medicinal no SUS paulista cobra celeridade do governo estadual 

Atraso na regulamentação preocupa membros da sociedade civil e representantes de entidades públicas

Published on 06/19/2026

Grupo de trabalho pela regulamentação da cannabis medicinal no SUS paulista cobra celeridade do governo estadual 
Grupo de trabalho pela regulamentação da cannabis medicinal no SUS paulista cobra celeridade do governo estadual 

Por redação Sechat

O Grupo de Trabalho (GT) formado pela Secretaria Estadual de Saúde, encarregado da regulamentação da Lei Estadual 17.618/23 que incorpora a cannabis medicinal ao SUS paulista, está expressando crescente preocupação com o atraso na publicação da tão aguardada regulamentação, que deveria ter sido concretizada até o dia 01 de maio de 2023.

No intuito de pressionar pela imediata divulgação dessa regulamentação, 14 membros da comissão uniram forças para emitir uma nota pública. 

Veja a nota:

Esta declaração conjunta inclui a assinatura de representantes da OAB-SP, Unicamp, Sociedade Médica de Anestesiologia do Estado, Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Sociedade de Pediatria, Conselho Regional de Farmácia, associações canábicas, bem como o próprio deputado estadual Caio França, como representante da Alesp, dentre outros.

Embora a política de saúde pública, apesar de inovadora na rede, não apresenta grandes desafios à Secretaria Estadual de Saúde, que já acumula experiência na dispensação de medicamentos de alta complexidade e custo, o atraso na publicação dessa regulamentação é motivo de crescente apreensão para França, membro ativo do grupo.

"Tenho mantido contato constante com a Secretaria Estadual ao longo dos últimos meses, mas até agora não obtive uma informação concreta sobre o prazo da publicação. As famílias que aguardam ansiosamente pelos medicamentos estão levantando demandas a respeito dessa demora. E é plausível que o façam, uma vez que a vida não espera", lamentou o parlamentar.

De acordo com o deputado, a primeira moção de aprovação para indicação terapêutica do medicamento, destinada a síndromes de Dravet, Lennox Gastaut e Esclerose Tuberosa, ocorreu em 1º de junho, ou seja, dois meses atrás, com a promessa de que a resolução seria publicada na semana subsequente. 

"A regulamentação está pronta e aprovada. O prazo estipulado era de 90 dias, o qual venceu em maio. Já ultrapassamos 180 dias, mais que o dobro do tempo estabelecido por lei", destacou o deputado.

França também trouxe à tona as discordâncias que têm emergido no âmbito do Grupo de Trabalho. "Eu defendo a liberdade dos médicos para a prescrição, sem restrição de patologias, mas respeito que a maioria do colegiado tenha definido a primeira fase com três síndromes ligadas a convulsão e epilepsia. Como legislador meu papel é cobrar a efetividade da lei e a ampliação do escopo de patologias atendidas pelo SUS, no entanto, é preciso celeridade pois é a saúde da população que está em jogo", acrescentou.

Cida Carvalho, presidente da Associação Cultive, participante ativa de todas as reuniões do grupo, salientou que não existem justificativas plausíveis para a demora na publicação.

"Tão essencial quanto a regulamentação do acesso a medicamentos à base de cannabis é a garantia de seu cumprimento. A ausência e demora no acesso prolongam o sofrimento dos pacientes e suas famílias, intensificando a exclusão e o descaso por parte do Estado”, enfatizou.

Cida Carvalho em seu cultivo autorizado para fins medicinais.

Neide Mendes Martins, presidente da Associação Brasileira Acolher e Transformar Vidas, também se manifestou, sublinhando que, se todos os procedimentos internos foram cumpridos, especialmente após a aprovação da Lei, não há mais justificativas para a postergação.

Há uma grande expectativa tanto por parte da população quanto dos próprios médicos quanto à inclusão do canabidiol no SUS. As pessoas começam a ficar confusas, pois houve a promessa de rapidez no dia da sanção da lei no Palácio dos Bandeirantes, o que não se concretizou

Neide Martins

O Grupo de Trabalho relacionado ao canabidiol também reivindica maior celeridade nos trabalhos que dizem respeito à dor crônica refratária, buscando a publicação de uma nova resolução que se dedique exclusivamente a quadros clínicos cujas indicações sejam apropriadas. Além disso, novas reuniões são demandadas a fim de promover progresso nas discussões relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Contudo, segundo explicou o deputado, as sociedades médicas especializadas que compõem os subgrupos argumentam não ter encontrado indicações claras na literatura médica para a aplicação de canabinoides em doenças psiquiátricas, oftalmológicas, gastroenterológicas e oncológicas.