Controle de qualidade e tecnologia devem definir líderes da cannabis no Brasil

Setor projeta R$ 1 bilhão até 2026, com foco crescente em inovação e padronização farmacêutica

Published on 06/03/2026

Controle de qualidade e tecnologia devem definir líderes da cannabis no Brasil

Sechat News

Em um mercado que projeta movimentar cerca de R$ 1 bilhão até 2026, a diferenciação entre empresas de cannabis medicinal no Brasil deve ser definida cada vez mais pela capacidade técnica, controle de qualidade e investimento em tecnologia. A avaliação é de Rodrigo Kilca, gerente de desenvolvimento de novos negócios e head de operações da Flextem BioPharma Brasil, em entrevista ao Sechat News.

Segundo Kilca, a adoção de padrões internacionais rigorosos será determinante para a consolidação do setor. “É de suma importância que as empresas sigam à risca referências como a farmacopeia europeia”, afirma. Para ele, a padronização garante segurança não apenas para o paciente, mas também para médicos prescritores. “A tranquilidade de saber que os 1000 mg descritos no rótulo são, de fato, 1000 mg é fundamental”, completa.

O executivo também alerta para os riscos de um mercado ainda em amadurecimento. Produtos sem controle adequado podem comprometer a credibilidade de todo o setor. “Empresas que não atingem esse padrão acabam queimando o mercado por inteiro”, diz.

Outro ponto de destaque é a evolução na percepção sobre o THC. Antes associado principalmente ao uso recreativo, o composto vem ganhando protagonismo terapêutico. “Hoje se entende que o THC tem uma atuação ampla e, em muitos casos, pode ser mais eficaz que o próprio CBD”, explica Kilca, citando aplicações em dor crônica e fibromialgia.

No campo produtivo, o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes, especialmente no cultivo de flores. A complexidade agronômica da planta exige domínio técnico e controle de variáveis ambientais. “Não é uma cultura simples. Existem fatores microbiológicos, fitossanitários e climáticos que impactam diretamente o resultado”, afirma. Ele ressalta que países como o Uruguai levaram anos até atingir maturidade produtiva e capacidade de exportação.

Diante desse cenário, o investimento em pesquisa e desenvolvimento aparece como fator estratégico. Tecnologias de extração, como o uso de CO2 supercrítico, também ganham relevância por garantir maior pureza e segurança aos produtos finais.

Para Kilca, o futuro do setor no Brasil passa necessariamente pela combinação entre ciência, inovação e aprendizado internacional. “O país tem potencial enorme, mas precisa investir agora para colher resultados consistentes nos próximos anos”, conclui.

Controle de qualidade e tecnologia devem definir lídere...