Por que maconha dá fome?

Pesquisa revela os mecanismos cerebrais por trás da "Larica" causada pelo uso adulto da cannabis

Published on 06/13/2026

Por que maconha dá fome?
Por que maconha dá fome?

Estudos recentes realizados por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington nos Estados Unidos lançam luz sobre os mecanismos cerebrais que provocam a conhecida sensação de fome após o consumo de maconha, fenômeno popularmente chamado de "larica". Os resultados da pesquisa destacam potenciais aplicações medicinais da cannabis, especialmente no auxílio ao tratamento de pacientes com câncer que enfrentam a perda de apetite.

Os cientistas expuseram ratos e camundongos ao vapor de cannabis, simulando condições equivalentes ao consumo humano. Observou-se um aumento na frequência alimentar desses animais após a exposição à maconha. A análise da atividade neural revelou a ativação de neurônios específicos no hipotálamo mediobasal, uma região do cérebro associada ao controle do apetite.

Os compostos químicos da cannabis, conhecidos como canabinoides, desempenham um papel crucial nesse processo. O delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) ativam os neurônios no hipotálamo por meio do receptor de canabinoide-1 (CB1), conhecido por estimular o apetite. A pesquisa também revelou que a visão de comida resulta em uma ativação mais intensa desses neurônios.

A utilização medicinal da maconha para estimular o apetite, especialmente em pacientes submetidos à quimioterapia ou que enfrentam anorexia, tem sido alvo de estudos. O pesquisador Donald Abrams, oncologista da Universidade da Califórnia, destaca que a cannabis é um tratamento anti-náusea único que também estimula o apetite, além de ser eficaz contra dor, insônia, ansiedade e depressão.

Embora medicamentos sintéticos tenham sido desenvolvidos para replicar os efeitos da cannabis, a pesquisa destaca a eficácia da cannabis vaporizada. O estudo ressalta a importância de considerar diferentes formas de administração para obter resultados mais consistentes.

Essas descobertas oferecem uma contribuição valiosa para a compreensão dos efeitos da maconha no apetite e abrem caminho para potenciais aplicações terapêuticas. O oncologista Abrams, com sua experiência de quatro décadas, reforça a recomendação da cannabis como uma opção multifuncional para melhorar a qualidade de vida de pacientes enfrentando desafios relacionados ao câncer.

Fonte: DW