Estamos de "mãos atadas" enquanto não conseguirmos uma autorização via Anvisa, afirma pesquisadora da Embrapa

Pesquisadores renomados debatem o plantio de cânhamo no Brasil e a necessidade de gerencias diversas genéticas no nosso território

Published on 06/08/2026

Estamos de "mãos atadas" enquanto não conseguirmos uma autorização via Anvisa, afirma pesquisadora da Embrapa
Estamos de "mãos atadas" enquanto não conseguirmos uma autorização via Anvisa, afirma pesquisadora da Embrapa


Referências na pesquisa brasileira com cannabis, Daniela Bittencourt, Paulo Jordão de Oliveira e Luiz Borsato palestraram no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, sobre a genética das flores brasileiras e o seu papel no crescimento do setor industrial. A sessão foi mediada pelo primeiro pesquisador brasileiro autorizado a cultivar Cannabis no país e fundador da Startup ADWA Cannabis, Sergio Barbosa.

Daniela, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirma que a empresa está trabalhando para desenvolver um programa de pesquisa com cannabis. "Percebemos uma urgência em avançar na pauta. Agora, buscamos autorizações junto ao MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) para destravar barreiras jurídicas. Também, estamos em contato com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo ela, o programa será realizando durante 12 anos, iniciando na semente e terminando na produção do produto final.

Ao todo, o processo terá quatro vertentes, cultivo, manejo, colheita e, por ultimo, zoneamento, economia e politicas publicas, buscando entende as três anteriores dentro do cenário brasileiro. Durante o cultivar, a ideia é encontrar diferentes características genéticas, por meio de trocas de sementes - hoje existem 19 bancos de sementes, com 923 variedades diferentes.  

Por fim, Daniela afirmou que a Embrapa está "de mãos atadas" enquanto não conseguirem uma autorização via Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Ainda estamos apenas no 'papel', realizando levantamentos econômicos, parcerias e conversas com a Fiorruz, a Santa Cannabis. Não podemos colocar a semente na terra".

 

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Paulo Jordão de Oliveira e Daniela Bittencourt , da esquerda para a direita

 

Precisamos de uma legislação ampla

 

Como solução para a falta de regulamentação clara e pouca ou nenhuma possibilidade de plantio no Brasil - principalmente para plantas com Tetraidrocanabinol (THC), Paulo, professor e pesquisador, fundador da Cannapi (cânhamo Piauiense), diretor do Núcleo em pesquisa em Cannabis da UFPI (AGROCANN), afirmou que devemos olhar para a planto macho. "Não tem THC mas tem fibra, semente, folha. Pode ser muito aproveitada para a pesquisa.

 

Ainda pontuando soluções, o pesquisador ressaltou a importância dos "cultivadores sociais" na coleta de diferentes genéticas. "Quem planta de maneira ilegal tem muita genética, muito conhecimento. Essas pessoas precisam se juntar com os pesquisadores, permitindo um acesso a essas genéticas.


Por fim, Sérgio clamou por uma legislação robusta, condizente com as demandas brasileiras. "O Brasil é líder no agronegócio, tendo um investimento massivo no setor. Precisamos de uma liberação de larga escala para o plantio do cânhamo.