Adeus ao tabaco? Pesquisas apontam psilocibina como aliada para parar de fumar

Uma revisão científica e ensaios clínicos em andamento investigam o uso da psilocibina associada ao acompanhamento psicológico como estratégia para auxiliar pessoas a abandonar o cigarro

Publicado en 10/06/2026

Adeus ao tabaco? Pesquisas apontam psilocibina como aliada para parar de fumar
Estudos investigam o potencial da psilocibina associada ao acompanhamento psicológico para ajudar fumantes a abandonar o cigarro | CanvaPro

Abandonar o cigarro continua sendo um dos maiores desafios para milhões de pessoas em todo o mundo. Enquanto adesivos de nicotina, medicamentos e terapias comportamentais seguem entre as principais estratégias para enfrentar a dependência, pesquisadores têm voltado a atenção para uma substância encontrada em cogumelos psicodélicos: a psilocibina.

Segundo reportagem publicada pelo site espanhol Cáñamo, uma revisão científica realizada por pesquisadores holandeses apontou que a combinação de psilocibina com acompanhamento psicológico pode representar uma alternativa promissora para auxiliar pessoas que desejam parar de fumar. Apesar dos resultados encorajadores, os autores ressaltam que as evidências ainda são limitadas e que novos estudos clínicos são necessários.

Como a psilocibina pode atuar no combate ao tabagismo

De acordo com a publicação, os pesquisadores analisaram oito trabalhos acadêmicos que investigaram o potencial terapêutico da psilocibina no tratamento da dependência de nicotina. A hipótese é que a substância possa contribuir para modificar padrões de comportamento associados ao vício, especialmente quando utilizada em conjunto com suporte psicológico especializado.

O interesse científico pelo tema não é recente. Estudos conduzidos pela Johns Hopkins University School of Medicine vêm investigando há mais de uma década o potencial da psilocibina no tratamento de diferentes transtornos relacionados à saúde mental e dependências.

Ensaio clínico comparou psilocibina e adesivos de nicotina

Uma das pesquisas mais recentes, publicada na revista científica JAMA Network Open, comparou o uso de psilocibina associado à terapia cognitivo-comportamental com o tratamento convencional baseado em adesivos de nicotina.

Segundo os resultados do estudo piloto, participantes que receberam psilocibina apresentaram taxas significativamente maiores de abstinência ao cigarro após seis meses de acompanhamento quando comparados ao grupo tratado com adesivos de nicotina. Os pesquisadores destacaram que os participantes do grupo da psilocibina tiveram mais de seis vezes mais chances de manter a interrupção do tabagismo durante o período analisado.

Evidências ainda exigem cautela

Embora os resultados sejam considerados promissores, os próprios pesquisadores alertam que a amostra dos estudos ainda é reduzida. Segundo o site Cáñamo, a revisão holandesa concluiu que as evidências atuais justificam a realização de pesquisas mais amplas para avaliar a eficácia e a segurança da psilocibina no tratamento do tabagismo.

A literatura científica também destaca que a utilização da substância ocorre em ambientes controlados, acompanhada por profissionais treinados e dentro de protocolos de pesquisa específicos.

Outras substâncias derivadas da cannabis também estão sendo estudadas

Pesquisadores da Washington State University identificaram que pequenas doses de CBD podem inibir uma enzima relacionada ao processamento da nicotina no organismo. A descoberta sugere que compostos da cannabis também podem desempenhar um papel futuro em estratégias voltadas à redução da dependência do cigarro.

O tema se soma ao crescente interesse científico em terapias inovadoras para o tratamento de dependências, área que tem atraído investimentos e novos estudos em diversos países.

Fonte: Cañamo.Net.