Mutirão leva cannabis medicinal a crianças autistas em Fernando de Noronha
Iniciativa da ABECMED oferece atendimentos gratuitos e acompanhamento contínuo para famílias da ilha
Publicado en 02/06/2026

Ação social
Um mutirão de atendimento com foco em cannabis medicinal tem transformado a realidade de famílias em Fernando de Noronha. A ação, promovida pela ABECMED, chegou à sua segunda etapa com 57 atendimentos gratuitos, entre consultas online e presenciais, priorizando crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas mães.
De acordo com Alexandre Machado, representante da entidade, as principais queixas da população atendida incluem ansiedade, distúrbios do sono, depressão e dor crônica. A proposta do projeto é oferecer acesso estruturado e contínuo ao tratamento com canabinoides, começando por uma triagem médica gratuita.
“Primeiro é feita uma consulta totalmente gratuita para os ilhéus selecionados. Caso o médico entenda que a terapia com canabinoides é necessária, ele prescreve a medicação, que é retirada na própria unidade de saúde”, explica Machado.
O acompanhamento dos pacientes ocorre de forma híbrida. Uma equipe de acolhimento auxilia nos ajustes de dose e no monitoramento dos resultados, enquanto os pacientes mantêm contato direto com os médicos via WhatsApp. Além disso, a cada três meses, a equipe multidisciplinar retorna à ilha para novas avaliações presenciais.
Os medicamentos são doados aos participantes do projeto, garantindo continuidade no tratamento. Segundo relatos das famílias, os resultados já são perceptíveis. “As mães têm relatado melhora significativa na parte cognitiva das crianças neurodivergentes, além de alívio das dores crônicas, melhora no sono e no humor”, afirma Machado.
Com previsão de continuidade, o projeto deve manter ciclos trimestrais de atendimento, além do envio constante de medicamentos para a ilha. A expectativa é ampliar o alcance e consolidar o modelo como referência em acesso à cannabis medicinal em regiões remotas do país.
O avanço da iniciativa reforça o potencial terapêutico da cannabis e evidencia a importância de políticas e projetos que democratizem o acesso ao tratamento, especialmente em comunidades com acesso limitado à saúde especializada.
