“Sem ciência, não há mercado”: CEO da Remederi projeta futuro da cannabis no Brasil

Entrevista ao Sechat News revela avanço do setor, aplicações na medicina esportiva e desafios com a chegada do agro

Publicado en 11/06/2026

“Sem ciência, não há mercado”: CEO da Remederi projeta futuro da cannabis no Brasil
Fabrizio Postiglione, CEO da Remederi, fala sobre o avanço da cannabis medicinal no Brasil, incluindo uso na medicina esportiva, sono com CBD e CBN e potencial do agronegócio

 

O mercado de cannabis medicinal no Brasil vive uma fase de amadurecimento acelerado, saindo de um modelo centrado na importação de óleos para um ecossistema mais sofisticado, com inovação em produtos, pesquisa clínica e novas frentes de atuação. Em entrevista ao Sechat News, o CEO da Remederi, Fabrizio Postiglione, destacou que o equilíbrio entre ciência e mercado será decisivo para sustentar esse crescimento.

“Não adianta ter mercado se não tem ciência. Não adianta ter ciência se não tem mercado”, afirmou.

 

Da dor ao desempenho: cannabis na medicina esportiva

Um dos pontos de maior destaque da entrevista é o avanço do uso da cannabis na medicina esportiva. Segundo Postiglione, os fitocanabinoides vêm sendo utilizados para recuperação muscular, controle de dor e regeneração de tecidos moles — um tema que ganha força entre atletas profissionais e praticantes amadores.

Além disso, a qualidade do sono aparece como fator-chave. A combinação entre CBD e CBN, segundo ele, atua de forma complementar: um composto auxilia na indução ao sono, enquanto o outro contribui para sua manutenção em estágio profundo.

 

Veja a entrevista:

 

O sono como ativo biológico

A entrevista também levanta um ponto estratégico pouco explorado no debate público: o sono como ativo central na performance e na saúde. A atuação dos canabinoides nesse processo posiciona a cannabis não apenas como tratamento, mas como ferramenta de otimização fisiológica — tendência já observada em mercados mais maduros.

 

Do óleo bruto aos dermocosméticos

O salto evolutivo do setor nos últimos anos é evidente. “Em 2019, praticamente só existiam seringas de óleo cru. Hoje temos comprimidos, tópicos e até dermocosméticos”, afirmou o executivo.

Essa diversificação abre espaço para novos públicos e aplicações, incluindo o mercado de bem-estar, estética e cuidados pessoais — um dos segmentos com maior potencial de crescimento dentro da indústria global.

 

A nova fronteira: cannabis no consumo cotidiano

Outro ponto relevante é a substituição de produtos tradicionais por soluções à base de cannabis. Pomadas, analgésicos e até indutores de sono começam a ser gradualmente reposicionados, indicando uma mudança de comportamento do consumidor e uma possível disrupção em mercados já consolidados.

 

Ciência independente e validação clínica

Postiglione também destacou o papel do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) Remederi como pilar estratégico para o avanço do setor. Em um cenário regulatório ainda em evolução, a produção de evidência científica robusta se torna essencial para consolidar a credibilidade da cannabis medicinal no Brasil.

 

Da experiência internacional à motivação pessoal

A trajetória do executivo também ajuda a explicar sua visão de mercado. Com experiência no cultivo em larga escala no Oregon (EUA), ele acompanhou de perto o crescimento acelerado da indústria norte-americana.

No entanto, foi uma vivência pessoal que consolidou sua atuação no setor: o uso da cannabis no cuidado paliativo de um familiar. A experiência reforçou o potencial terapêutico da planta não apenas no controle da dor física, mas também em aspectos emocionais, como ansiedade e depressão.

 

O agro entra em cena — e o desafio é continental

O futuro do setor no Brasil passa, inevitavelmente, pelo agronegócio. Mas, segundo Postiglione, o desafio é mais complexo do que parece. “O Brasil não é um país, é um continente”, afirmou, ao destacar a necessidade de desenvolvimento genético adaptado aos diferentes biomas nacionais.

A entrada do agro pode representar um ponto de inflexão para a indústria, colocando o país em posição estratégica no cenário global — desde que haja alinhamento entre regulação, ciência e capacidade produtiva.

 

Muito além da planta: um novo paradigma de saúde

Mais do que uma tendência de mercado, a cannabis medicinal começa a se consolidar como parte de uma transformação mais ampla na forma de pensar saúde, bem-estar e tratamento. A entrevista reforça que o futuro do setor não está apenas na expansão comercial, mas na construção de um novo modelo baseado em evidência, personalização e integração terapêutica.