Falta de acompanhamento médico para pacientes de Cannabis é um problema em Portugal

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Ainda hoje, os médicos indicam que Carla mantenha o CBD, mas alega que ninguém a ajuda nas dosagens ou adverte sobre possíveis interações. É Carla que faz esse trabalho, estudando e pesquisando o que há de novo sobre os canabinoides para ajudar a filha e outros doentes (Foto: Skitterphoto/Pexels)

Curadoria e edição de Sechat Conteúdo, com informações de Notícias Magazine (Inês Schreck)

Em Portugal, centenas de pacientes recorrem a produtos à base de Cannabis para aliviar dores e espasmos provocados por certas doenças, eliminar efeitos adversos de tratamentos, reduzir convulsões e ganhar qualidade de vida. A maior parte destes preparados têm THC (tetrahidrocanabinol, a substância da Cannabis com efeito psicoativo) e CBD (Canabidiol), os dois principais canabinoides da planta. A utilização de substâncias à base de Cannabis para fins medicinais, quando os tratamentos convencionais não funcionam ou provocam efeitos adversos relevantes, está prevista na lei portuguesa desde 2018. Mas as limitações no acesso têm sido muitas.

Carla está de novo no hospital, com a filha internada. Entretanto já não sabe mais quantas vezes deu entrada naquelas urgências de Coimbra, nos últimos quatro anos. Isa era um bebé perfeitamente normal até que, aos dez meses, uma primeira febre deu início ao pesadelo. Durante vários dias, teve convulsões seguidas, tantas que Carla nem conseguia olhar. “Chegou a ter 70 por dia e o cérebro ficou com imensas lesões”, a mãe conta. A filha foi diagnosticada com F.I.R.E.S (Febrile Infection-Related Epilepsy Syndrome, na sigla em inglês), uma síndrome rara que deu origem a uma epilepsia refratária. Carla pesquisou tudo sobre a patologia e investigou sobre o CBD e os seus benefícios na redução de crises epiléticas. 

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Ninguém a ajudou ou aconselhou, nenhum médico português lhe deu a mão, mas decidiu arriscar. “Mal comecei a dar o óleo, notei diferenças significativas”, garante. Antes, Isa tinha crises a cada duas a três horas, mal dormia. Quando tomou as primeiras gotas, esteve 15 dias sem uma única convulsão. “Só um pai que já teve um filho com convulsões percebe a verdadeira dimensão disso”. Em suma, as crises caíram para menos da metade e Carla começou a reduzir as enormes quantidades de epiléticos e outros fármacos.

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Ainda hoje, os médicos indicam que ela mantenha o CBD, mas alega que ninguém a ajuda nas dosagens ou adverte sobre possíveis interações. Sobretudo, é Carla que faz esse trabalho, estudando e pesquisando o que há de novo sobre os canabinoides para ajudar a filha e outros doentes. É presidente do Observatório Português para a cannabis medicinal e considera a aprovação recente do Infarmed de introduzir o medicamento de cannabis da Tilray nas farmácias portuguesas um passo histórico. “Se estes produtos aparecerem na farmácia, os médicos não têm como não ajudar os doentes”, conforme ela diz. Embora a flor seca da Tilray não tenha indicação para a patologia de Isa, Carla fica “feliz pelos outros”. E, além disso, acredita que, depois deste passo, os próximos serão mais fáceis.

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