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Fogaça afirma que plantaria maconha para extrair canabidiol para filha

Por Caroline Apple

O chef Henrique Fogaça afirmou que plantaria maconha para extrair o canabidiol usado no tratamento de sua filha Olívia caso o cultivo fosse legalizado no Brasil. Em entrevista ao Sechat, o jurado do Masterchef disse que “extrair o próprio óleo seria a melhor coisa do mundo”.

Fogaça entrou para o mundo da Cannabis quando viu sua filha Olívia, de 13 anos, definhar diante de tantos medicamentos alopáticos. Olívia tem um tipo raro de epilepsia e a hipotomia (diminuição do tônus muscular e da força, o que causa moleza e flacidez). A decisão de buscar alternativas para o tratamento da agora pré-adolescente partiu de um momento bastante delicado de saúde que Olívia enfrentava.

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“Percebi quando a coluna dela foi entrevando e ela teve que fazer uma operação. Então, fui me informando das novidades, da dieta cetogênica. Olhando além da medicina tradicional. Foi assim que surgiu uma melhora para ela, uma qualidade de vida melhor”, relembra.

O chef conta que não tinha conhecimento do assunto e chegou até o canabidiol lendo, vendo programas sobre CBD e fazendo contatos. “Entrei em contato com a HempMeds que passaram a fornecer o óleo para a Olívia.”

Mas o óleo da empresa não foi o único que Olívia experimentou. Fogaça é amigo do skatista Bob Burnquist, que é ativista pela legalização da maconha e, segundo o chef, está com uma empresa nos EUA para a venda de produtos à base de Cannabis. Por isso, Olívia chegou a tomar o canabidiol enviado pelo amigo do pai.

No Brasil, Olívia passou por um médico indicado pela empresa que fornece o óleo para o seu tratamento hoje e, por isso, o processo para conseguir o medicamento não teve entraves, além dos burocráticos convencionais vigentes hoje na legislação brasileira.

Melhora

O chef conta que em menos de três meses começou a notar uma mudança significativa no comportamento da filha. A feição apática dava lugar a um semblante de ternura e paz.

“Senti uma diferença na expressão, no sorriso, na tranquilidade dela”, recorda.

E os avanços são registrados com carinho pelo pai coruja. Nas redes sociais, Fogaça compartilha com seus seguidores as vitórias de Olívia, como no dia que ela ficou em pé sozinha pela primeira vez ou quando, no dia do seu aniversário, comemorou com o feito da pequena, que ficou em pé por 15 minutos.

Em uma das postagens, Fogaça publicou a mensagem: “Minha linda filha Olívia me enche de orgulho e esperança. O papai te ama mais que tudo na vida. Você é o maior exemplo de superação. Te amo, minha eterna bonequinha.”

Além do óleo de Cannabis, Olívia faz a dieta cetogênica e tratamentos alternativos que envolvem física quântica.

Ativismo

Fogaça se considera uma “ferramenta” nas mãos de Olívia, porque, a partir da sua popularidade, ele consegue levar informação, desmistificar o uso do óleo de Cannabis e empoderar outras famílias em condições semelhantes para que buscam alternativas à medicina tradicional.

“Meu papel na luta é que minha filha viva cada vez melhor. Já é tão limitada a forma como ela vive, que ela tenha uma boa qualidade de vida. Eu sou uma ferramenta da Olívia para passar, através da Internet, as informações para as pessoas que estão mesma situação em casa e não sabem e não veem outra forma de cuidar, de tratar”, afirma.

Diante da burocracia, preço e pouca democratização no acesso ao óleo, Fogaça afirma que o Estado deveria intervir e fazer o óleo chegar até as famílias que não tem condições de bancar com todo o processo necessário hoje para conseguir o medicamento.

“O Estado deveria financiar de alguma forma o canabidiol para a população, com exame, tudo comprovante que é necessário o uso do óleo”, diz.

Apesar do seu empenho na luta pela informação, Fogaça garante que o interesse não sai do campo pessoal para tratamento da filha e afirma que não pretende fazer negócio com Cannabis.

Veja um dos vídeos postados por Fogaça onde ele mostra a evolução de Olívia: