Mães temem que seus filhos fiquem sem óleo de Cannabis em meio a pandemia de Coronavírus

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Por Caroline Apple

Pais, mães e responsáveis por crianças em tratamento com óleo de Cannabis temem que os pequenos fiquem sem medicamento durante o período de quarentena por causa do Coronavírus. As consequências da interrupção do uso do óleo podem ser graves.

A dona de casa Cristiane Gimenez Palacios é mãe da pequena Valentina, que nasceu com Síndrome de Down e apresentou quadros graves de convulsão e comportamento violento antes de começar o tratamento com o óleo de Cannabis. A vida da família e, principalmente, de Valentina mudou com o tratamento e, neste ano, a pequena começou a frequentar a escola e até mesmo fazer passeios com os colegas.

“Nosso óleo está acabando e não sei se ele vai chegar. Tenho conversado com diversas mães que estão na mesma situação do que eu. Estamos de quarentena desde sexta-feira (14) à noite. Já dispensei todas as terapias que a Valentina fazia e ela não está mais indo para escola. Já temos o receio do que pode acontecer com essa mudança brusca na rotina. Imagina ficar sem o óleo. Estou vendo o óleo acabar e com medo de demorar para conseguir mais”, conta Palacios.

Outra mãe que teme perder os ganhos de saúde conquistados pelo seu filho é a cabelereira Juliana Baesso, mãe do Pedro, diagnosticado com um tipo de autismo, déficit de atenção, transtorno de aprendizagem e hiperatividade. Além do receio do humor do filho voltar a se desestabilizar, Baesso se diz preocupada com o processo de desmame do último remédio alopático que eu filho ainda toma.

“Soube que a empresa americana que me fornece o óleo está com o estoque baixo. Já mandei mensagem, mas ninguém sabe me dar um posicionamento. Eu não sei o que vou fazer”, diz a cabelereira.

Estoque de óleo

A assistente administrativa E.N. (que prefere não se identificar) compra óleo para o seu filho autista no Uruguai. Recentemente, E. conta que seu marido foi até o país vizinho comprar óleo extra, com medo que a fronteira feche por causa do Coronavírus. Porém, mesmo assim, a assistente administrativa diz sentir os efeitos da pandemia no bolso. “Pagamos R$ 50 a mais no óleo por conta do aumento do dólar. Compramos uma quantidade o suficiente por um tempo, mas tudo depende também da duração dessa situação. Estou preocupada”, afirma E.

A médica Paula Dall Stella, prescritora de Cannabis Medicinal, conta que tem orientado seus pacientes a fazer uma reserva de óleo para cerca de três a quatro meses, garantindo assim que o tratamento não seja interrompido.

“A interrupção no tratamento pode causar uma série de danos, principalmente em pacientes com síndromes raras e crises convulsivas, epilepsia refratária, onde o medicamento promove ganhou funcionais muito importantes que melhoram a qualidade de vida dessas crianças. No momento que você não tem mais esse tratamento e os pacientes começam a entrar em crises convulsivas, eles acabam perdem o ganho e a manutenção dos ganhos em termos cognitivos, funcionais, respiratórios e motores”, explica a médica.

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