A cannabis no Brasil e no mundo é debatida no CBCM 2023

Durante o primeiro bloco das palestras de Negócios e Legislação no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, desta quinta-feira (04/05), foi abordado como o proibicionismo e a guerra às drogas afetam os avanços das pesquisas, da economia e do aces

Publicada em 04/05/2023

A cannabis no Brasil e no mundo é debatida no CBCM 2023

Por redação Sechat

O passado proibicionista da cannabis de mais de um século vem dando lugar a uma realidade de regulamentação e legalização no Brasil e no mundo.

O que impulsiona esse avanço e essa mudança de mentalidade são as indicações terapêuticas da cannabis, seguidas de pesquisas que comprovam os benefícios que a planta oferece para o tratamento de diversas doenças.

"Hoje não existe mais empirismo, está tudo comprovado cientificamente e os estudos são produzidos incessantemente. A planta tem diversos fitoquímicos, entre eles os cannabinoides, terpenos e os flavonoides que têm a capacidade de se conectar com os receptores que são neurotransmissores e que estão espalhados pelo corpo todo”, Adriana Russowsky é farmacêutica, expert na atuação com plantas medicinais 

Mesmo diante de um cenário promissor, os prejuízos causados pela proibição da planta em todo mundo afetam diretamente esse novo olhar, afinal, foram mais de 100 anos de informações falsas sobre a planta disseminadas em todos os países.

A trajetória de demonização da planta

A cannabis caracteriza-se pelo uso milenar em diversas culturas, como China, Egito, Índia e Grécia, seja para fins  medicinais, seja como alimento, para confecção de fibras ou rituais religiosos.

Foi por meio das rotas comerciais criadas com o processo de migração entre os povos que a cannabis chegou  em diferentes partes do mundo. No Brasil, isso ocorreu durante o período colonial, quando africanos escravizados trouxeram a planta ao Brasil.

Por aqui, a planta teve dois tipos de uso, como um produto da indústria do cânhamo na produção de fibras e no século XIX, como medicamento presente nas farmacopeias oficiais.

Durante o processo abolicionista, a maconha passou a ser criminalizada e tratada como planta associada às tradições afro-brasileiras e, portanto, alvo das campanhas racistas e proibicionistas da medicina do início do século XX. 

A violência relacionada às drogas no Brasil não se deve aos seus efeitos farmacológicos, mas ao contexto criado pela proibição que desencadeou uma “guerra às drogas”, com resultados desastrosos. “Hoje em dia a maioria dos presos é ligado ao comércio de drogas, impactando 60% da população carcerária feminina por causa do porte ilegal, por isso precisamos diminuir esses flagelos da política de segurança brasileira.”, destaca Henrique Carneiro, historiador e palestrante do congresso.

Henrique Soares, Margarete Brito, Cecilia Galício, Adriana Russowsky e Valéria França no CBCM 2023

O uso medicinal da cannabis como início de uma mudança de paradigma

O número de pessoas que fazem uso da cannabis para fins medicinais ultrapassa os 200 mil pacientes que conseguem importar, comprar em farmácias ou de associações ou via  SUS (Sistema Único de Saúde), por meio de processos de judicialização.

Esse cenário continua configurado como proibicionista e não atende de forma democrática a população. O acesso é restrito e só é possível a quem tem poder aquisitivo.

A mesma planta que é de certa forma legalizada para tratamento medicinal continua encarcerando e matando a população preta e periférica pois, desde o século XIX, foram os negros os primeiros a serem criminalizados pelo uso da maconha.

Os avanços no mundo

Cresce em progressão geométrica o número de países que repensam o proibicionismo da cannabis e investem tanto em pesquisa como na criação de leis para legalizar o uso medicinal, ou mesmo recreativo.

“Quem deseja trabalhar com cannabis deve destinar seu tempo em estudar a planta e a legislação de cada país, o que é possível fazer e o que não é, pois trata-se de um mercado promissor e rentável”, Guillermo Delmonte, Uruguaio Diretor Executivo da NDLATAM,  um fundo de investimento privado na América Latina.

Uruguai, Canadá, Portugal, Malta, alguns estados dos EUA, África do Sul, Indonésia, México. Jamaica, Holanda e Itália são alguns exemplos de lugares onde o uso recreativo da maconha é legalizado ou tolerado.

“A maconha está se tornando no mundo a commodity de crescimento mais rápido e esse mercado tem potencial de quadruplicar em menos de 10 anos, então é inevitável que o Brasil se adeque a essa demanda global, sendo que nós somos o país com a maior área agricultável do planeta”, revela Henrique.

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