Cotidiano

Ação policial contra a associação OSACI gera onda de repúdio e manifestações do setor associativo

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Ação policial contra a associação OSACI gera onda de repúdio e manifestações do setor associativo
Câmera de segurança / Reprodução Internet (Qualidade de imagem aprimorada digitalmente por Inteligência Artificial para melhor visualização, sem alteração ou manipulação do conteúdo original da cena).
Uma operação realizada pela Polícia Militar na sede da Associação OSACI, localizada em Itupeva (SP), no dia 25 de agosto, gerou forte repercussão e comoção no setor de cannabis medicinal em todo o país. A reportagem solicitou formalmente posicionamento e esclarecimentos à Polícia Militar do Estado de São Paulo a respeito dos fundamentos da ação operada no local e aguarda retorno oficial.

 

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Nas redes sociais, dezenas de representantes, lideranças e profissionais do ecossistema associativo se manifestaram repudiando a intervenção policial. O advogado Clayton Medeiros comentou a ação promovida no Estado de São Paulo, destacando que constituir uma associação e se associar é um direito garantido pela Constituição Federal:


 

"As associações de cannabis fazem um papel importantíssimo diante da omissão do Estado. As associações de cannabis são importantíssimas, gerando emprego, gerando renda, movimentando a economia, e o mais importante: cuidando de muitas pessoas. Para além de cuidar da saúde, as associações também entregam lazer, educação e conhecimento, promovendo ciência, pesquisa e encontro."


 

Medeiros ressaltou ainda que o avanço e a consolidação da regulamentação da cannabis no Brasil ocorreram em grande parte por conta do trabalho incansável desenvolvido pelas associações.


 

Em comunicado oficial divulgado após a operação, a Associação OSACI publicou uma nota de repúdio repudiando veementemente a forma como os fatos foram conduzidos e divulgados. A entidade considerou grave o fato de a ação não ter sido fruto de mandado judicial, destacando a conduta da equipe policial em transportar seus colaboradores na parte traseira da viatura, mesmo sem resistência e portando habeas corpus, além de desconsiderar o processo cível em andamento. A nota da diretoria da OSACI encerra-se com uma reflexão sobre a seletividade e o impacto social das ações policiais: "Quando a natureza é criminalizada a vida vira resistência. Resistiremos!"

 

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Nota de repúdio publicada pela diretoria da Associação OSACI a respeito da ação policial realizada em sua sede, em Itupeva (SP).Créditos / Fonte: Divulgação / Reprodução Internet (Redes Sociais OSACI)


 

Confira abaixo a reprodução na íntegra da nota pública divulgada pela Federação das Associações de Cannabis Terapêutica (FACT) sobre o caso:


 

NOTA PÚBLICA SOBRE A INTERVENÇÃO POLICIAL NA ASSOCIAÇÃO OSACI

 


 

NOTA PÚBLICA DA FACT: FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE CANNABIS TERAPÊUTICA

Itupeva, 25 de Agosto de 2026


Acompanhamos com indignação e profunda preocupação a intervenção policial realizada na Associação OSACI, que resultou na prisão de seu diretor, Denis, e de seus associados colaboradores Bruno e Roni. A Associação do Congado e da Capoeira mostrou a postura de três valentes lutadores numa situação crítica e desesperadora. Trata-se da segunda ocorrência dessa natureza na história de sua existência, resistência e busca por reparação histórica na cidade de Itupeva.


 

A OSACI atua há anos em projetos sociais e, mais recentemente, no acompanhamento associativo de pacientes em condições adversas de saúde que necessitam da terapêutica canabinoide. Durante a ação da PM, foram apresentados às autoridades documentos, informações sobre os pacientes atendidos, projetos desenvolvidos na área do esporte, educação, ecologia e cultura, pesquisas realizadas em parceria com importantes instituições, bem como informações sobre o acompanhamento próximo e participativo das construções de regulamentação associativa junto à ANVISA e ao Ministério da Justiça e sobre a situação jurídica da associação.


 

Ainda assim, a intervenção evoluiu para a prisão de pessoas vinculadas à entidade.


 

Não estamos aqui para antecipar decisões judiciais, tampouco para substituir o trabalho da defesa. Estamos, sim, reafirmando princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito: transparência, devido processo legal, direito de defesa e respeito às pessoas que dedicam seu trabalho à saúde de suas famílias e de outras pessoas.


 

É igualmente necessário que sejam esclarecidos, com absoluta transparência, os fundamentos jurídicos utilizados para a entrada no local, para as medidas adotadas e para a prisão dos envolvidos.


 

Não podemos transformar uma questão complexa, que envolve direito à saúde, a dignidade humana, associações, decisões judiciais em diferentes esferas e a regulamentação da cannabis para fins terapêuticos, em uma narrativa simplificada de criminalização.


 

Neste momento, três pessoas enfrentam as consequências de uma ação policial que precisa ser rigorosamente esclarecida.


 

Denis, Bruno e Roni não estão sozinhos.


 

As associações, pacientes, familiares, profissionais e todos aqueles que lutam pelo acesso à cannabis medicinal precisam permanecer unidos, responsáveis e atentos.


 

  • Que os fatos sejam devidamente apurados.


     

  • Que os direitos sejam respeitados.


     

  • Que a Justiça tenha acesso a todos os elementos necessários à adequada appreciation do caso.


     

  • E que nenhuma pessoa seja previamente tratada como criminosa por sua atuação em defesa do direito à saúde.


     

O Estado não pode, simultaneamente, chamar as associações para ajudar a construir a regulação e permitir que elas continuem completamente invisíveis para os demais órgãos do próprio Estado.


 

Manifestamos nossa solidariedade à OSACI, aos seus associados, às famílias e, especialmente, a Denis, Bruno e Roni.


 

Seguiremos acompanhando os desdobramentos e cobrando os devidos esclarecimentos pelas vias institucionais e jurídicas cabíveis.


 

Ninguém solta a mão de ninguém.


 

Coordenação Geral


 

Federação das Associações de Cannabis Terapêutica