Política Internacional

Ações judiciais de farmacêuticos podem atrasar regulamentação da cannabis medicinal na Espanha

Associações questionam a exclusividade de dispensação em hospitais prevista no novo Decreto Real; prazo para definição de usos clínicos pela agência reguladora expirou no início de janeiro

Ações judiciais de farmacêuticos podem atrasar regulamentação da cannabis medicinal na Espanha
Novos questionamentos judiciais apresentados ao Supremo Tribunal da Espanha por entidades farmacêuticas podem impactar o cronograma de implementação da cannabis medicinal no país. Imagem: Canva Pro

Novos questionamentos judiciais apresentados ao Supremo Tribunal da Espanha por entidades farmacêuticas podem impactar o cronograma de implementação da cannabis medicinal no país. 

O Conselho Geral dos Colégios Oficiais de Farmacêuticos (CGCF) e a Confederação Andaluza de Farmácias (CEOFA) interpuseram recursos contra o Decreto Real 903/2025, especificamente contra a restrição que limita a dispensação dos produtos apenas a farmácias hospitalares, excluindo as unidades comunitárias.

A ação do CGCF, que representa cerca de 22.000 farmácias na Espanha, foi oficializada após notificação no Diário Oficial do Estado (BOE) em 3 de janeiro. O movimento segue uma iniciativa similar da CEOFA, realizada em meados de dezembro. 

Ambos os recursos visam alterar o Artigo 8 do decreto aprovado em outubro, que estabelece que preparações padronizadas de cannabis "só podem ser fornecidas a serviços de farmácia hospitalar legalmente estabelecidos".

O cenário jurídico coincide com o fim do prazo administrativo da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS). O órgão tinha três meses, contados a partir de outubro, para publicar as monografias clínicas detalhando usos autorizados, dosagens e condições de prescrição. Esse período encerrou-se no início deste mês, simultaneamente à apresentação das contestações legais.

 

O ponto de conflito

 

A legislação atual determina que apenas os serviços de farmácia hospitalar são responsáveis pela preparação de fórmulas magistrais à base de cannabis e sua dispensação, tanto para pacientes internados quanto ambulatoriais. As entidades de classe argumentam que essa restrição limita o acesso e buscam a inclusão das farmácias comunitárias na rede de distribuição.

O Diário Oficial do Estado abriu um prazo de nove dias a partir do anúncio para que outras partes interessadas, incluindo grupos de defesa de pacientes, possam ingressar no processo. Embora os recursos possam gerar novos atrasos na aplicação da lei, a revisão da norma tem o potencial de ampliar os pontos de acesso aos medicamentos no território espanhol caso as farmácias comunitárias sejam incluídas.

 

Critérios da nova regulamentação

 

O Decreto Real 903/2025 estabelece o primeiro quadro regulatório abrangente para a cannabis medicinal na Espanha. A normativa exclui o uso da flor da planta (in natura), permitindo apenas óleos e extratos padronizados. O tratamento é considerado um recurso de última linha, autorizado apenas quando medicamentos convencionais, como o Sativex, não apresentarem eficácia.

As prescrições ficam restritas a médicos especialistas em ambiente hospitalar e os pacientes devem ser inscritos em um registro centralizado da AEMPS. As quatro indicações médicas autorizadas pelo texto são:

- Espasticidade associada à esclerose múltipla;

- Epilepsia refratária grave;

- Náuseas e vômitos decorrentes de quimioterapia;

- Dor crônica refratária.

O Ministério da Saúde da Espanha defende que a abordagem centralizada e hospitalar permite uma atualização contínua baseada em evidências clínicas, visando garantir eficácia e segurança no tratamento dos pacientes.

 

Com informações de Bussines Of Cannabis