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ALKO investe R$ 40 milhões e prepara entrada no mercado de cannabis medicinal

ALKO investe R$ 40 milhões, prevê 15 mil unidades em 2027 e seis novos produtos até 2030. Entenda a estratégia da empresa.

ALKO investe R$ 40 milhões e prepara entrada no mercado de cannabis medicinal
ALKO investe R$ 40 milhões em nova unidade farmacêutica e prepara a chegada de seus primeiros produtos de cannabis medicinal às farmácias brasileiras até setembro de 2026.

A ALKO do Brasil está destinando R$ 40 milhões à criação de uma nova unidade farmacêutica e escolheu a cannabis medicinal como uma das primeiras frentes dessa expansão. Depois de quase quatro décadas de atuação no setor de saúde, a companhia prepara a chegada de seus primeiros produtos à base de cannabis às farmácias brasileiras até setembro de 2026.

O movimento combina investimento industrial, desenvolvimento regulatório e uma estratégia de entrada gradual. A meta inicial é comercializar aproximadamente 5 mil unidades ainda em 2026 e alcançar até 15 mil unidades em 2027 — o equivalente a triplicar o volume anual projetado no primeiro ciclo de comercialização.

O plano vai além dos produtos de estreia. Até 2030, a ALKO pretende colocar seis novos produtos no mercado, enquanto estrutura etapas de produção no Brasil e desenvolve pesquisa agronômica com cannabis.

 

“Não entramos nesse projeto pensando apenas no lançamento de um produto. Estamos construindo uma nova competência dentro da ALKO. Queremos fazer isso com o mesmo rigor que aplicamos há décadas na indústria farmacêutica: conhecimento técnico, segurança, responsabilidade regulatória e crescimento gradual”, afirma Juliana Komel, co-CEO da ALKO do Brasil.

R$ 10 milhões já foram direcionados à operação

Dos R$ 40 milhões previstos para a expansão farmacêutica, aproximadamente R$ 10 milhões já foram investidos. Os recursos foram direcionados a registros de produtos, validações regulatórias, importação e adaptação da fábrica.

Isso significa que cerca de 25% do investimento anunciado já foi aplicado na preparação da nova operação.

A estratégia inicial prevê fabricação no exterior. Os primeiros produtos serão produzidos pela canadense MediPharm Labs. Paralelamente, a ALKO adapta sua estrutura industrial no Rio de Janeiro para iniciar o envase nacional e avançar, de forma gradual, na produção local.

Para quem acompanha o setor sob a perspectiva de negócios, esse desenho mostra uma entrada em etapas: lançamento com fabricação internacional, preparação da infraestrutura brasileira e posterior avanço da participação nacional na cadeia produtiva.

Meta é triplicar vendas entre 2026 e 2027

A companhia estabeleceu metas objetivas para os dois primeiros anos da operação. A previsão é vender cerca de 5 mil unidades em 2026 e até 15 mil em 2027.

O crescimento projetado entre os dois períodos é de até 200%, considerando o limite estabelecido para 2027.

A escala inicial é acompanhada por um plano de ampliação do portfólio. A empresa pretende lançar seis novos produtos até 2030, criando uma operação que não ficará restrita aos medicamentos previstos para chegar às farmácias neste ano.

A expansão também começa a aparecer na estrutura de pessoal. A nova unidade já gerou 25 empregos e a previsão é criar outros 50 até o fim de 2027.

Caso o planejamento seja cumprido, serão pelo menos 75 postos de trabalho associados à nova operação até o final do próximo ano.

Pesquisa e cultivo entram na estratégia

Outra frente do projeto está na pesquisa. A ALKO desenvolve um projeto de cultivo para fins de pesquisa autorizado pela Anvisa.

A iniciativa inclui estudos agronômicos com diferentes variedades de cannabis e avaliação da adaptação dessas plantas às condições brasileiras.

A existência dessa frente acrescenta uma camada à estratégia da companhia: enquanto estrutura a comercialização e prepara sua capacidade industrial, a empresa também desenvolve conhecimento sobre a matéria-prima em território nacional.

Para uma companhia que pretende construir uma operação de longo prazo, essas diferentes frentes — produto, regulação, indústria e pesquisa — indicam que a entrada na cannabis está sendo estruturada como uma nova competência interna, e não apenas como uma extensão pontual de portfólio.

Cannabis entra em momento de expansão da ALKO

O investimento ocorre em um período de crescimento da própria companhia. Segundo a ALKO, seu faturamento dobrou nos últimos quatro anos e a projeção é avançar aproximadamente 40% em 2026.

A expansão continua sendo financiada com capital próprio, modelo adotado pela companhia sob a gestão da segunda geração da família fundadora.

“Chegamos a esse projeto com uma empresa saudável, uma operação nacional e uma história construída ao longo de 38 anos. Isso nos permite investir pensando no longo prazo. A cannabis abre uma nova frente, mas faz parte de algo maior: ampliar a presença da ALKO na saúde sem perder a solidez daquilo que já construímos”, afirma Augusto Oliveira, CEO da companhia.

O diagnóstico por imagem continua sendo um dos principais pilares estratégicos da empresa. A estimativa é que os produtos da ALKO nesse segmento alcancem aproximadamente 3,5 milhões de pacientes no Brasil em 2026.

O que os números mostram sobre a entrada da ALKO

A estrutura financeira e operacional anunciada ajuda a dimensionar a estratégia da companhia para cannabis medicinal.

O investimento total previsto é de R$ 40 milhões, dos quais aproximadamente R$ 10 milhões já foram aplicados. Os produtos estreiam com fabricação canadense, enquanto a infraestrutura do Rio de Janeiro é preparada para envase e posterior avanço da produção nacional.

Do lado comercial, a ALKO trabalha com uma curva inicial de 5 mil unidades em 2026 para até 15 mil em 2027. No desenvolvimento de portfólio, a meta chega a seis novos produtos até 2030.

A combinação desses movimentos coloca a cannabis dentro de uma expansão farmacêutica mais ampla da companhia. Em vez de concentrar o investimento exclusivamente na comercialização, a estratégia distribui recursos e competências entre regulação, importação, infraestrutura industrial, pesquisa, produção e desenvolvimento de produtos.