Anvisa confirma presença no Cannabis Connection 2026
Anvisa confirma presença no Cannabis Connection 2026, que discutirá novas regras, cultivo, mercado e impactos regulatórios para empresas e investidores.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou presença no Cannabis Connection 2026, marcado para 5 de novembro, em São Paulo. Para empresas, investidores e empreendedores do setor, a participação do órgão ocorre em um momento especialmente relevante: o mercado brasileiro entrou em uma fase na qual as mudanças regulatórias começam a produzir efeitos sobre decisões de investimento, infraestrutura, portfólio e modelos de negócio.
Realizado pela Sechat, o encontro terá como tema “O Novo Cenário da Cannabis no Brasil” e reunirá representantes do poder público, pesquisadores, empresas e especialistas para discutir agricultura, regulamentação, acesso e inteligência de mercado.
Mais do que acompanhar novas normas, empresas agora precisam entender como elas serão implementadas, quais exigências técnicas deverão ser incorporadas às operações e onde podem surgir oportunidades ao longo da cadeia.
Da regulamentação para a execução
Em 2026, a regulação brasileira avançou sobre pontos estruturais da cadeia. As RDCs 1.012 e 1.013 estabeleceram regras relacionadas à pesquisa e ao cultivo de cannabis por pessoas jurídicas previamente autorizadas.
A Anvisa também publicou orientações destinadas às empresas e instituições interessadas na obtenção de Autorização Especial para cultivo. O documento trata de pontos como elaboração de projetos, adequação das instalações, inspeção sanitária, segurança, rastreabilidade e controle das plantas.
Para quem avalia entrar nesse mercado, esses requisitos têm impacto direto no planejamento financeiro. Projetos de cultivo, por exemplo, deixam de depender apenas de genética, produtividade agrícola e escala. Passam a exigir investimentos relacionados a compliance sanitário, segurança, rastreabilidade, controle de qualidade e estrutura regulatória.
Isso também altera a análise de viabilidade de empresas que pretendem atuar como fornecedoras de tecnologia, laboratórios, prestadores de serviços, operadores agrícolas ou parceiros da indústria farmacêutica.
Três mercados estarão no centro da discussão
A programação do Cannabis Connection foi estruturada para observar diferentes partes da cadeia brasileira.
O primeiro bloco será dedicado ao mercado agro, incluindo perspectivas para cultivo, pesquisa e formação de uma cadeia produtiva nacional.
Outro eixo será a RDC 1.015/2026, relacionada aos produtos de cannabis regulados pela Anvisa. A agenda também abordará a RDC 660/2022, responsável pela importação excepcional de produtos por pacientes para uso próprio.
Para o empresário, essa divisão é importante porque os três segmentos apresentam estruturas regulatórias e econômicas distintas.
Uma empresa interessada em cultivo nacional enfrenta exigências diferentes de uma companhia que pretende registrar ou comercializar produtos no canal regulado pela Anvisa. Da mesma forma, o mercado de importação individual pela RDC 660 possui dinâmica própria de aquisição, distribuição, prescrição e relacionamento com pacientes e profissionais de saúde.
Entender como esses canais podem evoluir é fundamental para decisões sobre entrada no mercado, alocação de capital, formação de parcerias e posicionamento competitivo.
Presença da Anvisa aumenta peso do debate regulatório
A confirmação da Agência reforça justamente o componente regulatório da edição de 2026.
Para o mercado, um dos principais desafios neste momento é transformar as novas regras em planejamento operacional. Ainda existem decisões relevantes relacionadas à formação da cadeia nacional, à integração entre cultivo e indústria, à pesquisa, ao fornecimento de matéria-prima e à adequação das empresas às exigências sanitárias.
Por isso, acompanhar a interpretação e a aplicação das normas pode ser tão importante quanto conhecer o texto das próprias RDCs.
Para investidores, o ambiente regulatório também influencia diretamente a percepção de risco. Quanto maior a previsibilidade sobre autorização, fiscalização, produção e comercialização, maior a capacidade de empresas construírem projeções de investimento e modelos financeiros com premissas mais consistentes.
Dados de mercado também entram na agenda
O Cannabis Connection terá ainda participação de Fernanda Rebelo Carnevalli, farmacêutica e bioquímica especializada em inteligência de mercado e Market Insights na Close-Up International. Sua atuação envolve análise de demanda, prescrição médica, canais de distribuição e tendências do mercado farmacêutico.
Também estão confirmados Beatriz Marti Emygdio, pesquisadora da Embrapa e presidente do Comitê Permanente de Assessoramento Estratégico em Cannabis, e Bruno Pegoraro, cofundador e presidente do Instituto Ficus.
A combinação entre regulação, pesquisa agrícola e inteligência de mercado busca oferecer uma leitura mais ampla para empresas que precisam decidir onde investir, quais segmentos acompanhar e quais mudanças regulatórias podem afetar seus negócios nos próximos anos.
Guia Sechat 2026 será lançado durante o evento
Durante o encontro também será lançado o Guia Sechat da Cannabis 2026, publicação que reúne informações regulatórias, dados de mercado, tendências e perspectivas sobre a cannabis no Brasil e na América Latina.
O lançamento ocorre justamente em um momento de reorganização da cadeia brasileira, marcado por novas regras para cultivo, pesquisa, produtos e prescrição.
Serviço
O 4º Cannabis Connection acontece em 5 de novembro de 2026, a partir das 14h, no Edifício JK 1600, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1600, Itaim Bibi, em São Paulo. A programação inclui apresentações de mercado, debates, lançamento do Guia Sechat da Cannabis e coquetel de encerramento.
As vagas são limitadas.
