Autocultivo ou cannabis medicinal? Fundador da Santa Cannabis explica qual pauta deve avançar primeiro
Pedro Sabaciauskis, fundador da Santa Cannabis, explica por que acredita que ampliar o acesso à cannabis medicinal é o caminho para reduzir o preconceito e fortalecer uma regulamentação mais justa no Brasil

O debate sobre o autocultivo e o uso adulto da cannabis costuma mobilizar diferentes setores da sociedade e do movimento canábico. Mas, para Pedro Sabaciauskis, fundador da Santa Cannabis, há uma prioridade que não pode ser deixada em segundo plano: garantir que quem precisa da planta como tratamento tenha acesso seguro, digno e livre do estigma.
Durante participação no Deusa Cast, Pedro deixou claro que é favorável ao autocultivo e nunca escondeu sua posição como usuário adulto de cannabis. Ainda assim, acredita que o momento exige estratégia para que a pauta avance de forma consistente perante a sociedade. "Eu sou super a favor do autocultivo. Eu sou usuário de cannabis recreativa, nunca escondi isso", afirmou. "Mas o país, quando a gente quer tudo, quem tudo quer nada tem", refletiu.
Desmistificar a cannabis ainda é o maior desafio
Segundo Pedro, o Brasil ainda convive com os reflexos de mais de um século de proibição, período que consolidou preconceitos e desinformação em torno da cannabis. Para ele, a cannabis medicinal representa uma oportunidade de mudar essa percepção, especialmente entre pessoas que nunca tiveram contato com a planta e poderiam se beneficiar dos tratamentos.
Ao relatar experiências vividas na rotina da Santa Cannabis, Pedro explica que muitos pacientes, principalmente idosos, ainda chegam receosos por associarem a cannabis a estigmas construídos ao longo de décadas. "Se eu defender o autocultivo para uso adulto hoje, eu afasto algumas pessoas. As senhoras de idade que querem chegar ao tratamento pensam: 'Isso aí tem a ver com cannabis, eu não vou me envolver'", comentou.
Na avaliação do fundador da associação, o maior desafio atualmente não é o acesso de quem faz uso adulto da planta, mas de quem depende dela como alternativa terapêutica. "Quem usa de forma adulta não tem dificuldade de acesso. A senhorinha que nunca teve contato com isso, essa sim tem dificuldade."
Informação abre caminho para uma regulamentação mais justa
A ampliação do debate sobre a cannabis medicinal tem contribuído para reduzir o preconceito e aproximar pacientes, familiares e profissionais de saúde de informações baseadas em evidências. Para Pedro, esse processo de educação é indispensável para fortalecer uma regulamentação responsável e ampliar o acesso aos tratamentos.
Embora considere que a regulamentação do uso adulto também seja necessária, ele acredita que cada pauta deve seguir seu próprio caminho. "Nosso discurso hoje é: primeiro, cannabis medicinal para quem precisa de tratamento, ponto", resumiu.
Assista ao trecho completo do Deusa Cast e acompanhe a análise de Pedro Sabaciauskis sobre os desafios da regulamentação da cannabis no Brasil, o papel do autocultivo e a importância de colocar os pacientes no centro desse debate.
