Canabinoides sintéticos avançam e Europa entra em alerta para novas substâncias
Relatório europeu aponta a identificação de 50 novas substâncias psicoativas em 2025

A cada ano, o mercado global de substâncias psicoativas se torna mais complexo. Em 2025, autoridades europeias registraram a chegada de 50 novas substâncias psicoativas ao continente, ampliando os desafios para órgãos de saúde pública, fiscalização e monitoramento toxicológico.
Os dados fazem parte do relatório anual da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), divulgado em junho de 2026. Segundo o documento, o crescimento ocorre em um cenário de constante adaptação dos mercados ilícitos, que buscam desenvolver compostos capazes de contornar restrições regulatórias e controles legais.
De acordo com o relatório da EUDA, ao final de 2025 a agência monitorava cerca de 1.050 novas substâncias psicoativas, das quais 50 haviam sido notificadas pela primeira vez naquele ano. Além disso, aproximadamente 400 substâncias já conhecidas continuaram circulando no mercado europeu.
Canabinoides sintéticos lideram novas notificações
Entre as substâncias identificadas pela primeira vez em 2025, os canabinoides representaram a maior categoria.
Segundo o relatório, 27 novos canabinoides foram detectados ao longo do ano, sendo 16 deles classificados como canabinoides semissintéticos. Esses compostos já representam mais da metade das novas substâncias registradas pelo Sistema Europeu de Alerta Precoce em 2025.
Estes canabinoides semissintéticos são versões quimicamente modificadas de compostos encontrados naturalmente na planta da cannabis. Comercializados inicialmente como alternativas legais ao THC, esses produtos começaram a ganhar espaço no mercado europeu em 2022.
Até o fim de 2025, 40 canabinoides semissintéticos já haviam sido identificados na Europa. Entre eles está o HHC (hexahidrocanabinol), substância que passou a ser controlada internacionalmente em dezembro de 2025.
Para continuar contornando restrições legais, novos derivados passaram a surgir no mercado, incluindo HHC acetato e HHC-P.
Opioides sintéticos também preocupam autoridades
Outro ponto destacado pela EUDA é o avanço dos novos opioides sintéticos de alta potência.
Segundo o relatório, desde 2009 já foram identificados 95 novos opioides no mercado europeu. Somente em 2025, sete novas substâncias foram notificadas, incluindo nitazenos e orfinas, compostos que podem apresentar potência centenas de vezes superior à da heroína.
A agência também relata o aumento da circulação de medicamentos falsificados contendo nitazenos, muitas vezes comercializados como analgésicos ou benzodiazepínicos legítimos. Em 2024, mais de 50 mil comprimidos contendo essas substâncias foram detectados em dez países europeus.
Segundo reportagem da Reuters baseada no relatório europeu, os nitazenos vêm sendo associados a um número crescente de mortes por overdose e representam uma das maiores preocupações atuais para as autoridades sanitárias da região.
Mercado em constante transformação
A EUDA destaca que, pelo quinto ano consecutivo, os países da União Europeia registraram volumes recordes de apreensões e importações de novas substâncias psicoativas. Em 2025, foram contabilizadas cerca de 55 toneladas desses compostos entre apreensões e cargas interceptadas.
Segundo o site da agência, a produção e distribuição dessas substâncias continuam fortemente associadas a redes internacionais, com destaque para fornecedores localizados na China e na Índia, além do crescimento da produção dentro do próprio continente europeu.
Riscos à saúde ainda são pouco conhecidos
Um dos principais desafios apontados pela EUDA é a limitada compreensão sobre os efeitos dessas substâncias no organismo.
Ainda de acordo com o relatório, muitos dos compostos recém-identificados apresentam riscos ainda pouco estudados, podendo provocar intoxicações graves, eventos cardiovasculares, alterações neurológicas e, em alguns casos, morte.
O documento destaca ainda que populações vulneráveis, incluindo pessoas em situação de rua e indivíduos privados de liberdade, estão entre os grupos mais expostos aos riscos associados aos canabinoides sintéticos de alta potência.
À medida que novas moléculas continuam surgindo no mercado, autoridades europeias reforçam a importância dos sistemas de alerta precoce, da vigilância toxicológica e da cooperação internacional para identificar rapidamente substâncias emergentes e seus possíveis impactos à saúde pública.
