Agronegócio

Ciclone-bomba ameaça o Sul; alerta no setor canábico

Novo ciclone-bomba avança pelo Brasil. Veja o mapa de riscos para os estados e os alertas para o cultivo de cannabis. Acesse e confira a matéria!

Ciclone-bomba ameaça o Sul; alerta no setor canábico
Em julho de 2023, ventos devastadores atingiram as estufas da Santa Cannabis em SC, destruindo tratamentos de centenas de pacientes e exigindo uma força-tarefa para reerguer a produção.
 
Por onde vai passar o ciclone-bomba? A formação de um ciclone extratropical de alta intensidade sobre o Atlântico Sul acendeu o alerta meteorológico no centro-sul do Brasil. O fenômeno — impulsionado por uma rápida queda na pressão atmosférica (processo conhecido como bombogênese) — avança provocando chuvas fortes, tempestades com risco de granizo e rajadas de vento que podem superar os 100 km/h.

 

Além dos impactos nos centros urbanos e no agronegócio tradicional, a ameaça reacende o alerta no setor canábico brasileiro, que guarda na memória os prejuízos causados por eventos climáticos severos na Região Sul.


 

Previsão atualizada: o trajeto do ciclone-bomba

O ciclone formou-se no Litoral Sul e ganha força em direção ao alto-mar, mas a frente fria associada ao sistema é o principal vetor de instabilidade sobre o continente.


 

Estados em alerta e condições previstas

 

  1. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná:


     

    • Situação: Regiões de maior vulnerabilidade sob aviso de vendavais e tempestades.


       

    • Condições: Ventos entre 60 km/h e 100 km/h, alta incidência de raios e precipitação concentrada.


       

    • Tendência: Com o deslocamento do ciclone, a chegada de uma massa de ar polar derrubará as temperaturas no final de semana, com risco de geada no Sul.


       

  2. São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro:


     

    • Situação: Virada no tempo a partir do avanço do sistema, trazendo pancadas de chuva, declínio térmico e mar agitado.


       

    • Condições: Ventanias moderadas a fortes no litoral e interior, além de ressaca marítima.


       

  3. Minas Gerais e Goiás:


     

    • Situação: Aumento de nebulosidade e pancadas isoladas no Sul de Minas e áreas limítrofes.


       

O risco para o agronegócio e o precedente no setor de cannabis medicinal

A ocorrência de eventos climáticos extremos representa uma ameaça constante a cultivos de alta sensibilidade e às estruturas estufadas (indoor e outdoor). O setor de cannabis medicinal no Brasil vivenciou de perto a gravidade desses fenômenos em 13 de julho de 2023, quando a passagem de um ciclone extratropical causou grande destruição em Santa Catarina.


 

O caso da Santa Cannabis: destruição e recomeço

 

Na ocasião, a tempestade atingiu diretamente a estrutura da Santa Cannabis (Associação Brasileira de Cannabis Medicinal):


 

  • Perda de estufas: Três estufas outdoor foram severamente danificadas pelos ventos e tempestades, destruindo equipamentos essenciais e colocando em risco as plantas destinadas ao tratamento de centenas de pacientes.


     

  • Mobilização e campanha: Para reerguer o cultivo e garantir a continuidade do fornecimento de óleos de CBD e THC aos associados, a entidade lançou a campanha de arrecadação "Santa Ajuda".


     

  • Mudança estratégica de cultivo: A vulnerabilidade climática recorrente na Região Sul motivou uma reestruturação operacional. Liderada pelo presidente da associação, Pedro Sabaciauskis, a Santa Cannabis passou a investir na produção orgânica no interior de São Paulo, em parceria com o especialista em cultivo Masami Yoshimizu, migrando para regiões e modelos estruturais mais seguros contra intempéries.


     

A urgência de protocolos de contenção climática no setor

O episódio de julho de 2023 tornou-se um alerta pedagógico sobre a urgência de profissionalizar a gestão de risco na cannabis medicinal no país. Com o avanço do novo ciclone-bomba, o cenário evidencia a necessidade premente de aprimorar e padronizar protocolos de contenção climática no setor.

 

Diante da frequência cada vez maior de eventos extremos no Sul e Sudeste, especialistas e agentes do mercado apontam que a implementação rigorosa de medidas preventivas — como o reforço na ancoragem de estufas, a escolha estratégica de estruturas resistentes a ventanias e o planejamento para mitigação de danos em cultivos autorizados — é fundamental para proteger as safras e evitar o desabastecimento de remédios essenciais aos pacientes.


 

Recomendações para os próximos dias

  • Atenção às estruturas: Produtores agrícolas e associações são orientados a reforçar coberturas, plásticos e ancoragens de estufas.


     

  • Queda acentuada na temperatura: A partir do fim de semana, a massa de ar polar ganha força, exigindo cuidados adicionais contra geadas em áreas rurais do Sul.


     

  • Orientações da Defesa Civil: Evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, afastar-se de estruturas metálicas expostas e acompanhar os boletins oficiais de meteorologia.