Saúde

Conselho Federal de Medicina pede revogação de proposta da Anvisa para plantio de maconha no Brasil

Conselho Federal de Medicina pede revogação de proposta da Anvisa para plantio de maconha no Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicaram uma nota conjunta na noite desta quinta-feira (13) pedindo a revogação das consultas públicas que podem liberar o cultivo de Cannabis sativa no Brasil.

Para as entidades, a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de permitir o plantio da maconha com fins medicinais e científicos e a produção de medicamentos derivados da planta "desconsidera evidências científicas e não garantem efetividade e segurança para os pacientes". As duas entidades alegaram ainda que a Anvisa "assume postura equivocada, ignorando os riscos à saúde pública que decorrem dessa medida".

Na terça-feira, a agência aprovou por unanimidade a realização de uma consulta pública para discutir o plantio de cannabis e a produção de medicamentos que tenham a planta como base, e outra consulta para debater a regulação e o monitoramento destes produtos. A agência explicou que pretende regular o cultivo doméstico de maconha no país, tendo em vista o crescente número de pedidos de importação de remédios com canabidiol, mais de 9 mil desde 2015, e o alto custo de importação para os pacientes.
 
Confira a íntegra da nota das entidades

CFM e ABP pedem revogação de atos que podem liberar o cultivo da maconha no País
 
Diante da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de aprovar propostas preliminares para liberar no Brasil o cultivo da planta Cannabis sativa L. (maconha) com fins medicinais e científicos e a produção de medicamentos derivados da droga, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) vêm a público alertar a população e os tomadores de decisão para o alto risco envolvido nessa ação.
 
Essa proposta, que ainda depende de consulta pública para entrar em vigor, desconsidera evidências científicas, de que o uso da Cannabis sativa L. in natura e de seus derivados não garantem efetividade e segurança para os pacientes.
 
Até o momento, somente o canabidiol, um dos derivados da Cannabis sativa L., por ter mínimos estudos em forma de pesquisa, tem autorização para uso compassivo sob prescrição médica no tratamento de epilepsias em crianças e adolescentes refratários aos métodos convencionais. Isso está previsto na Resolução CFM nº 2.113/2014, que, por sua vez, proíbe aos médicos a prescrição da Cannabis in natura para uso medicinal, bem como de quaisquer outros derivados que não o canabidiol.
 
Ao admitir a possibilidade de liberação de cultivo e de processamento dessa droga no País, a Anvisa assume postura equivocada, ignorando os riscos à saúde pública que decorrem dessa medida.
 
Assim, o CFM e a ABP solicitam a revogação das propostas aprovadas pela diretoria da Anvisa e o cancelamento da consulta pública sobre o tema. Considerando que a Lei nº 12.842/2013 atribui ao Conselho Federal de Medicina a responsabilidade de avaliar e aprovar novos procedimentos médicos no País, solicita-se que o tema seja discutido com os representantes da autarquia antes de qualquer outra iniciativa.