Copa do Mundo impulsiona turismo canábico e apresenta mercado regulamentado a visitantes internacionais
Com turistas de dezenas de países conhecendo pela primeira vez mercados regulamentados de cannabis, a Copa do Mundo pode gerar impactos econômicos imediatos e ampliar o debate sobre legalização em diferentes regiões do mundo.

A maior Copa do Mundo da história está movimentando hotéis, bares, restaurantes e, pela primeira vez, também o mercado de cannabis regulamentada. Com partidas disputadas em cidades dos Estados Unidos, Canadá e México onde a cannabis é legal ou descriminalizada em diferentes níveis, o torneio tem levado milhares de turistas internacionais a conhecer dispensários licenciados e um modelo de mercado que, para muitos visitantes, ainda é novidade.
Segundo o site americano MJBizDaily, além da expectativa de aumento nas vendas durante o evento, empresários e especialistas acreditam que a exposição internacional pode contribuir para reduzir o estigma em torno da cannabis e ampliar discussões sobre regulamentação em diversos países.
Turismo impulsiona vendas e apresenta mercado regulamentado
Varejistas em cidades como Los Angeles, Kansas City e Nova York relataram crescimento no fluxo de clientes durante a competição, incluindo consumidores internacionais e pessoas que visitaram um dispensário pela primeira vez. "Mesmo que seja difícil mensurar o impacto direto nas vendas, eventos como este apresentam a muitas pessoas como é, de fato, um mercado de cannabis regulamentado", afirmou Anesha Jones, gerente-geral da Alta Dispensary, em entrevista ao MJBizDaily.
Segundo ela, muitos visitantes nunca haviam entrado em uma loja licenciada e passaram a conhecer um ambiente focado em educação, segurança e orientação ao consumidor.
Na NatureMed, em Kansas City, também foi registrado aumento no número de novos clientes. "Desde o dia 11, temos observado um aumento constante no número de clientes que nos visitam pela primeira vez", disse Myles Mayfield, diretor de marketing da empresa, ao MJBizDaily, acrescentando que houve "uma grande quantidade de clientes internacionais".
Já em Los Angeles, Adriana Hemans, diretora de marketing da The Artist Tree, relatou ao portal que o movimento foi impulsionado principalmente por moradores locais reunidos para acompanhar partidas da Copa do Mundo.
Além das vendas, os dispensários aproveitaram a movimentação para orientar novos consumidores sobre dosagem, potência dos produtos e consumo responsável.
"Para muitos visitantes internacionais, entrar em um dispensário legal em Nova York pode ser a primeira experiência de ver a cannabis sendo tratada como uma indústria regulamentada e profissional", afirmou Chris Kuilan, cofundador da Stoops NYC, ao site.
Copa do Mundo fortalece debate sobre regulamentação da cannabis
Representantes do setor avaliam que o principal legado do torneio pode ser político. Grande parte dos turistas vem de países onde a cannabis permanece proibida ou possui legislação bastante restritiva. Para Morgan Fox, diretor político da NORML, essa experiência pode modificar a percepção sobre mercados regulamentados.
"Poder ver como é um sistema regulamentado de cannabis realmente contribui muito para eliminar parte do estigma e estimular a imaginação das pessoas sobre como ele poderia ser em seus próprios países", declarou ao portal.
Justin Miller, vice-presidente sênior de marketing da Curaleaf Holdings, também destacou ao veículo que essa exposição internacional pode ampliar a familiaridade com mercados regulados e demonstrar padrões de qualidade, consistência e inovação adotados pela indústria.
Ao mesmo tempo, o evento evidenciou limitações regulatórias. Em Nova York ainda não existem regras para lounges de cannabis, eventos temporários ou espaços autorizados para consumo durante grandes acontecimentos, o que, na avaliação de parte do setor, restringiu oportunidades de negócios.
Mesmo com patrocinadores ligados aos setores de bebidas alcoólicas e apostas esportivas presentes na Copa do Mundo, a publicidade relacionada à cannabis continua proibida nas transmissões do torneio, refletindo restrições regulatórias que ainda permanecem em diferentes mercados.
Fonte: conteúdo originalmente publicado pelo portal MJBizDaily.
