Efeitos da cannabis no coração: estudo aponta redução
Efeitos da cannabis no coração foram avaliados em estudo que registrou redução de 9% nos batimentos ectópicos. Leia mais no Portal Sechat.

Efeitos da cannabis no coração: novo estudo identifica redução de 9% nos batimentos ectópicos. A pesquisa prospectiva, randomizada e cruzada acompanhou 108 adultos que fumavam ou vaporizavam cannabis regularmente.
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O resultado foi impulsionado pela diminuição das contrações atriais prematuras. As contrações ventriculares prematuras, por sua vez, não apresentaram alteração significativa.
O artigo, intitulado “Efeitos agudos da inalação de cannabis na ectopia cardíaca, atividade física, sono e glicose”, foi aceito para publicação no Journal of the American College of Cardiology (JACC).
Efeitos da cannabis no coração: Pesquisa acompanhou participantes durante 14 dias
O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos agudos da inalação de cannabis sobre a ectopia cardíaca. Segundo os pesquisadores, os dados disponíveis sobre os efeitos cardiovasculares da cannabis são conflitantes e geralmente provenientes de estudos observacionais.
Foram incluídos adultos que fumavam ou vaporizavam cannabis regularmente e não apresentavam histórico de arritmias cardíacas.
Durante 14 dias, os participantes receberam mensagens de texto que os designavam aleatoriamente, a cada dia, para inalar cannabis ou permanecer em abstinência.
A adesão foi avaliada por meio de registros com data e horário feitos no monitor cardíaco Zio no momento do consumo, pesquisas diárias e, em um subconjunto dos participantes, espectrometria de massa salivar.
O desfecho primário foi a quantidade diária de batimentos ectópicos, medida pelas contrações atriais prematuras e pelas contrações ventriculares prematuras. O estudo também avaliou os níveis médios de glicose, a contagem de passos e a duração do sono.

Estudo reuniu dados de 108 adultos
Os 108 participantes tinham idade média de 32 anos, com variação de dez anos para mais ou para menos. As mulheres representaram 59% da amostra, enquanto 37% dos participantes eram brancos não hispânicos.
Ao todo, o estudo reuniu 713 dias randomizados para o consumo de cannabis inalada e 616 dias destinados à abstinência.
De acordo com os autores, a adesão à randomização foi imperfeita, mas, de forma geral, os participantes seguiram as orientações recebidas.
Efeitos da cannabis no coração: Batimentos ectópicos diminuíram 9%
Nos dias de consumo, a cannabis inalada foi associada a uma redução estatisticamente significativa de 9% nos batimentos ectópicos. A razão de taxa foi de 0,91, com intervalo de confiança de 95% entre 0,85 e 0,98 e valor de P igual a 0,02.
As contrações atriais prematuras diárias diminuíram 10%. Nesse resultado, a razão de taxa foi de 0,90, com intervalo de confiança de 95% entre 0,82 e 0,97 e valor de P igual a 0,012.
As contrações ventriculares prematuras não apresentaram mudança estatisticamente significativa.
Cada episódio de inalação de cannabis foi associado a uma redução de 2% nos batimentos ectópicos. A razão de taxa foi de 0,98, com intervalo de confiança de 95% entre 0,97 e 0,99 e valor de P igual a 0,043.
Efeitos da cannabis no coração: Sono, passos e glicose não apresentaram diferenças
Os pesquisadores não identificaram diferenças significativas na contagem de passos, na duração do sono ou nos níveis médios de glicose entre os dias de inalação de cannabis e os dias de abstinência.
Segundo os autores, a randomização para o consumo de cannabis inalada foi associada a uma menor ocorrência de ectopia cardíaca entre usuários habituais. O resultado foi impulsionado pela redução das contrações atriais prematuras.
A interpretação do mecanismo causal, entretanto, é limitada por possíveis efeitos da abstinência, pela adesão moderada às orientações e pela ocorrência de intervenções simultâneas.
O estudo MARY-JANE está registrado no ClinicalTrials.gov sob o código NCT06021613. A pesquisa tem entre os autores Adi Elias, Gabrielle C. Montenegro, Hannah H. Oo, Isabella J. Peña, Dylan A. Lowe, Catherine Lee, Janet Tang e Gregory M. Marcus.
