Flores inaladas de cannabis avançam no Brasil e podem redefinir tratamentos médicos
Em entrevista, Alexandre Machado, presidente da ABECMED, detalha o potencial terapêutico, os desafios regulatórios e o avanço do uso inalado de cannabis no país

O uso de flores inaladas de cannabis medicinal começa a ganhar protagonismo no Brasil, acompanhando uma tendência já consolidada em mercados internacionais. Embora o ambiente regulatório ainda esteja em evolução, a demanda por essa forma de administração cresce de forma consistente, impulsionada por pacientes e pelo amadurecimento do setor.
Para o presidente da Associação Brasileira de Estudos Canábicos (ABECMED), Alexandre Machado, o potencial desse segmento é amplo e ainda difícil de mensurar.
“É imensurável a proporção de pacientes que irão aderir a esse tratamento. Quando olhamos para países como Alemanha, Austrália e Estados Unidos, vemos que a via inalatória já ocupa uma posição central no mercado medicinal”, afirma.
Segundo ele, o Brasil começa a seguir o mesmo caminho, ainda que em ritmo mais lento. Avanços recentes na regulamentação, como o reconhecimento da via inalatória sob prescrição médica, indicam uma mudança de cenário, mas não eliminam os desafios.
“O ambiente regulatório evoluiu, mas ainda há limitações importantes. Falta clareza em alguns pontos e isso acaba restringindo o acesso e o desenvolvimento do mercado”, avalia.
Machado destaca que a expansão das flores inaladas está diretamente ligada à mudança no comportamento dos pacientes, que buscam alternativas mais eficientes dentro do contexto da cannabis medicinal.
“O paciente de hoje chega mais informado e, muitas vezes, já passou por diferentes abordagens terapêuticas. Existe uma abertura maior para novas formas de uso, principalmente quando há referência de mercados mais maduros”, explica.
Na visão do presidente da ABECMED, três fatores serão determinantes para o avanço desse segmento no país: acesso, regulação e informação.
“O acesso ainda é limitado, tanto em relação aos produtos quanto aos dispositivos. A regulação precisa acompanhar a realidade do mercado, e a informação é essencial para garantir segurança e confiança, tanto para pacientes quanto para profissionais”, diz.
A atuação das associações, segundo ele, tem papel estratégico nesse processo, especialmente na organização da cadeia e na ampliação do acesso responsável.
“A ABECMED trabalha para estruturar esse mercado com qualidade, rastreabilidade e segurança. Também atuamos no diálogo com o poder público para contribuir com a evolução regulatória”, afirma.
Apesar dos entraves, a expectativa é de crescimento consistente nos próximos anos. Para Machado, o movimento já está em curso e tende a se intensificar à medida que o ambiente regulatório avance.
“As flores inaladas deixaram de ser uma tendência. Elas caminham para se consolidar como uma das principais categorias dentro da cannabis medicinal no Brasil”, conclui.
