Harvard debate legalização de psicodélicos com foco em regulação e evidências científicas
Debate reuniu especialistas em direito, ciência e ética para discutir evidências, riscos e modelos regulatórios para o uso terapêutico dessas substâncias
Publicada em 16/01/2026

Painel em Harvard analisa legalização de psicodélicos e desafios regulatórios | CanvaPro
Um painel interdisciplinar realizado na Universidade de Harvard, reuniu especialistas em direito, ética, ciência e políticas de drogas para discutir a possibilidade de abrir vias legais para o uso de psicodélicos com fins terapêuticos nos Estados Unidos. O evento abordou se a legalização desses compostos deve avançar rapidamente ou aguardar mais evidências científicas e mecanismos regulatórios robustos.
Durante as discussões, pesquisadores apontaram uma tensão entre a crescente demanda social e a necessidade de supervisão estatal que seja capaz de acompanhar esse movimento. Alguns participantes ressaltaram que termos amplos como “psicodélicos” englobam substâncias e contextos muito distintos, o que pode gerar expectativas infladas ou subestimar riscos, caso políticas sejam formuladas sem bases sólidas de evidência.

Pesquisadores e debatedores também destacaram que grande parte dos psicodélicos segue ilegal sob a lei federal dos EUA, apesar de avanços em pesquisas clínicas que exploram seu potencial no tratamento de transtornos de humor e uso de substâncias. Estudos indicam progressos em compostos como a psilocibina, atualmente em fases avançadas de testes clínicos, mas ainda sem aprovação total de agências reguladoras como a FDA.
Riscos, evidências e modelos de acesso
No encontro, foram expostos argumentos a favor e contra a aceleração da legalização. Um dos participantes, veterano militar, defendeu que bloquear o acesso em contextos terapêuticos poderia prejudicar indivíduos com sofrimento intenso, citando experiências pessoais com substâncias como a ibogaína.
Por outro lado, especialistas em ética médica enfatizaram que qualquer promessa de benefício terapêutico deve ser comprovada com os mesmos padrões exigidos para outros medicamentos, como ensaios controlados e revisões rigorosas.
Debatedores também alertaram para os perigos de mercados emergentes sem controles apropriados, incluindo marketing agressivo e ofertas que podem explorar expectativas de cura sem dados suficientes. A discussão incluiu ainda a necessidade de desenhar modelos de acesso que reduzam danos, produzam mais evidências e distribuam benefícios de forma equitativa, evitando repetições de desigualdades observadas em outras áreas de políticas de drogas.
Com informações de Cañamo.Net.



