Mercado de cannabis medicinal deve avançar para padrão farmacêutico nos próximos anos, avalia Thaise Alvarez
CEO da Alma Lab defende investimento em inovação, certificação e qualificação técnica como pilares para a maturidade do setor brasileiro

O mercado brasileiro de cannabis medicinal caminha para uma nova fase de maturidade, marcada pela busca por produtos com maior respaldo científico, certificações mais rigorosas e desenvolvimento de novas tecnologias. A avaliação é de Thaise Alvarez, CEO da Alma Lab, em entrevista ao Sechat News durante Cannabis Fair.
Segundo a executiva, a evolução do setor depende da combinação entre inovação, controle de qualidade e qualificação técnica das empresas, fatores considerados essenciais para ampliar a confiança de médicos prescritores e pacientes.
"A cannabis é um tratamento extremamente individualizado. Quanto maior a diversidade de canabinoides e de apresentações disponíveis, maior a capacidade de atender às necessidades específicas de cada paciente", afirmou.
De acordo com Thaise, o desenvolvimento de novos produtos deve ser sustentado por estudos científicos, validação laboratorial e certificações que comprovem pureza e segurança. Ela destacou que certificados de análise, controle microbiológico e transparência sobre a composição dos produtos se tornaram exigências fundamentais para conquistar a confiança da classe médica.
Outro ponto ressaltado foi o papel da equipe técnica das empresas na disseminação do conhecimento sobre cannabis medicinal. Para a executiva, tão importante quanto oferecer um produto de qualidade é contar com profissionais preparados para dialogar com médicos sobre aspectos científicos, fisiológicos e terapêuticos das formulações.
Posicionamento exige mais do que presença no mercado
Ao comentar os desafios enfrentados pelas empresas que atuam com produtos importados, Thaise afirmou que construir credibilidade exige uma estratégia contínua baseada em participação em eventos científicos, inovação e transparência.
Segundo ela, congressos e encontros especializados desempenham papel importante na aproximação entre empresas e prescritores, contribuindo para reduzir dúvidas e ampliar o acesso às evidências científicas sobre cannabis medicinal.
A executiva também defendeu que o mercado deve buscar constantemente novas soluções terapêuticas, incluindo diferentes canabinoides e outras substâncias naturais que possam atuar de forma complementar nos tratamentos individualizados.
Certificações devem ganhar ainda mais relevância
Na avaliação da CEO, a tendência é que o setor passe a exigir padrões cada vez mais próximos da indústria farmacêutica.
Ela destacou que certificações como cGMP e Reblas tendem a assumir papel central na avaliação da qualidade dos produtos, acompanhando uma demanda crescente por segurança e rastreabilidade. Também citou um estudo conduzido pela Universidade de Brasília (UnB), publicado na Journal of Cannabis Research, que avaliou critérios como rotulagem, qualidade dos produtos e disponibilidade de certificados de análise entre empresas que atuam no Brasil.
Regulamentação deve impulsionar nova fase do setor
Sobre o futuro da regulamentação brasileira, Thaise acredita que a autorização para o desenvolvimento de novos canabinoides no país representa um passo importante para ampliar as possibilidades terapêuticas.
Apesar de considerar que a RDC 660 continuará desempenhando papel relevante ao oferecer acesso a formulações diversificadas por meio da importação, ela avalia que o mercado deverá se tornar mais exigente nos próximos cinco anos, aproximando-se dos padrões farmacêuticos de produção e controle de qualidade.
Para a executiva, esse movimento representa uma evolução natural do setor.
"Eu gosto dessa evolução. As empresas têm que estar preparadas para isso", concluiu.
