Cotidiano

ONU faz alerta global: cannabis continua liderando consumo enquanto o mercado de drogas se transforma

Relatório da ONU aponta que a planta segue como a substância ilícita mais consumida do mundo e destaca a rápida expansão de novas rotas internacionais de tráfico

ONU faz alerta global: cannabis continua liderando consumo enquanto o mercado de drogas se transforma
Relatório da ONU mostra que a cannabis permanece como a droga ilícita mais consumida globalmente, enquanto o mercado ilegal amplia rotas e estratégias | CanvaPro

A cannabis permanece como a substância ilícita mais consumida do planeta. É o que revela o Relatório Mundial sobre Drogas 2026, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que também identifica um mercado ilegal cada vez mais dinâmico, impulsionado por novas rotas de tráfico, tecnologias e diversificação de substâncias.

Segundo o site El Planteo, o relatório estima que 331 milhões de pessoas utilizaram algum tipo de droga em 2024, alta de 34% em comparação à década anterior. Desse total, aproximadamente 256 milhões consumiram cannabis, mantendo-a como a principal substância ilícita em circulação no mundo.

Cannabis ganha novas rotas no mercado internacional

De acordo com o site, a cannabis continua sendo cultivada em praticamente todos os países. No entanto, a principal mudança observada pela ONU está na expansão das rotas internacionais de tráfico.

Historicamente concentrado em mercados regionais, o comércio ilícito da cannabis passou a apresentar crescimento entre continentes. O relatório destaca que países da América do Norte aparecem com frequência crescente como origem de remessas destinadas a outros mercados.

Entre 2015 e 2024, 57 países e territórios identificaram a América do Norte como ponto de origem de carregamentos ligados ao mercado da cannabis, número muito superior aos 11 registros observados entre 2005 e 2014.

Segundo o relatório, portos europeus tradicionalmente associados ao tráfico de outras drogas também passaram a ser utilizados para o transporte de cannabis por novas rotas comerciais.

Mercado ilegal se adapta com rapidez

Além da cannabis, o relatório destaca que o mercado global de drogas passa por uma transformação acelerada. Organizações criminosas têm utilizado tecnologias como drones, redes sociais, novos métodos logísticos e carregamentos menores para reduzir riscos de apreensão.

Segundo o UNODC, as drogas sintéticas representam uma das principais preocupações atuais. Em 2024, foram identificadas 755 novas substâncias psicoativas, o maior número já registrado pelos sistemas internacionais de monitoramento.

O documento também alerta para produtos comercializados com apresentações atrativas para jovens, incluindo vaporizadores adulterados, doces e misturas contendo diferentes substâncias psicoativas.

Jovens e redes sociais entram no foco da ONU

Outro ponto destacado pelo relatório é a influência das plataformas digitais na comercialização de drogas.

De acordo com o El Planteo, uma pesquisa europeia realizada em 2024 mostrou que 19% dos participantes afirmaram ter adquirido drogas por meio de redes sociais, percentual superior ao daqueles que recorreram à dark web.

Ao mesmo tempo, a ONU observa que alguns países de alta renda registram queda recente no consumo de álcool, tabaco e cannabis entre adolescentes, fenômeno que pode estar relacionado a mudanças nos hábitos sociais e ao maior tempo dedicado ao ambiente digital.

Relatório reforça necessidade de políticas integradas

Ainda segundo o relatório, o cenário atual demonstra que o mercado global de drogas se adapta mais rapidamente do que muitas políticas públicas.

Para a ONU, respostas centradas apenas na repressão não são suficientes para enfrentar um cenário que envolve saúde pública, desigualdade social, tecnologia, violência, mercados ilícitos e acesso ao tratamento.

Fonte: conteúdo originalmente produzido pelo portal El.Planteo.