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Pedro Sabaciauskis revela como será a transição das associações para empresas no Brasil

Fundador da Santa Cannabis analisa como o Sandbox Regulatório da Anvisa pode criar um caminho para que associações de pacientes cresçam, paguem impostos e concorram com a indústria sem comprometer o acesso aos tratamentos

Pedro Sabaciauskis revela como será a transição das associações para empresas no Brasil
Fundador da Santa Cannabis analisa o futuro regulatório das associações de pacientes no Brasil | Foto: Sechat

O crescimento acelerado da cannabis medicinal no Brasil tem ampliado o alcance das associações de pacientes, que hoje atendem milhares de pessoas em diferentes regiões do país. Mas, à medida que essas organizações expandem suas operações e alcançam níveis cada vez mais complexos de produção, surge uma questão inevitável: até onde uma associação pode crescer sem deixar de ser uma associação?

Esse foi um dos temas discutidos por Pedro Sabaciauskis, fundador da Santa Cannabis, em um corte recente do Deusa Cast, podcast do Portal Sechat. Durante a conversa, ele abordou os desafios regulatórios que acompanham a expansão do setor e explicou como o Sandbox Regulatório da Anvisa pode ser decisivo para definir os próximos passos do mercado brasileiro.

Segundo Sabaciauskis, o crescimento das associações tende a levar naturalmente parte dessas entidades para um modelo empresarial.

"Em algum momento, aquelas associações que atingirem um porte muito grande terão que se transformar em empresas", explica.

Para ele, não é possível que organizações com estruturas semelhantes às de grandes indústrias operem indefinidamente sob regras distintas. A transição, no entanto, não deve significar o fim das associações, mas sim a criação de um ambiente regulatório capaz de acomodar diferentes modelos de atuação.

Sandbox Regulatório deve definir a linha entre associação e empresa

De acordo com o empresário, o Sandbox Regulatório proposto pela Anvisa surge justamente para estabelecer critérios claros sobre quando uma organização deixa de ter características associativas e passa a operar como uma empresa.

A proposta busca criar um ambiente controlado para testar novas regras e permitir que o setor evolua de forma organizada, acompanhando a realidade de um mercado que cresce ano após ano.

Nesse cenário, as entidades que alcançarem determinado porte poderão migrar para o regime empresarial, assumindo obrigações tributárias e regulatórias equivalentes às de outros participantes do mercado.

Crescimento sem interromper o acesso dos pacientes

Um dos pontos destacados por Sabaciauskis é que essa mudança não deve representar uma barreira para o desenvolvimento das associações.

Segundo ele, o objetivo é justamente evitar que iniciativas bem-sucedidas encontrem obstáculos burocráticos quando atingirem um novo estágio de crescimento.

A ideia é criar um caminho regulatório que permita a continuidade da expansão, sem interromper operações que já atendem milhares de pacientes e sem comprometer o acesso aos tratamentos.

O papel que a indústria ainda não ocupa

Apesar da possibilidade de uma maior integração com o setor empresarial, Sabaciauskis reforça que as associações continuam desempenhando uma função estratégica dentro do ecossistema da cannabis medicinal.

Isso porque muitas delas oferecem produtos que ainda não estão amplamente disponíveis no mercado farmacêutico tradicional, especialmente formulações com diferentes concentrações e combinações de canabinoides.

Entre os exemplos citados estão óleos ricos em THC, CBG e THCV, utilizados por pacientes com necessidades terapêuticas específicas.

Na Santa Cannabis, por exemplo, cerca de 30% dos pacientes utilizam tratamentos à base de THC para o manejo de condições como a fibromialgia e dores crônicas, produtos que muitas vezes não encontram equivalentes disponíveis na indústria farmacêutica convencional.

Um mercado em transformação

A discussão revela um dos principais desafios da cannabis medicinal no Brasil: equilibrar crescimento, regulação e acesso. Enquanto a demanda aumenta e novas organizações surgem para atender pacientes, o país se aproxima de um momento decisivo para definir quais modelos de negócio poderão coexistir no futuro.

Nesse processo, o Sandbox Regulatório da Anvisa pode se tornar uma das ferramentas mais importantes para organizar a expansão do setor, permitindo que associações continuem cumprindo seu papel social ao mesmo tempo em que abre espaço para uma concorrência mais equilibrada com a indústria.