Saúde

Testes realizados pela USP, revelam que misturar Ketamina com CBD pode ser ótimo para depressão

Mesmo testada em ratos de laboratório, as implicações são animadoras

Testes realizados pela USP, revelam que misturar Ketamina com CBD pode ser ótimo para depressão

Curadoria e edição Sechat, com informações de Forbes

A Ketamina, vendida sob a denominação comercial Ketalar, por exemplo, é uma medicação utilizada principalmente para induzir e manter a anestesia. A substância induz um estado de transe, proporcionando sedação e perda de memória. Outros usos incluem alívio de dor crónica, sedação nos cuidados intensivos e foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) nos EUA em 2019 para o uso em pacientes com depressão refratária.

No Brasil, é proibida a livre comercialização da substância, para comprar, é necessário receita médica, de difícil acesso. Porém, tem amplo uso veterinário, sendo um ótimo anestésico de cavalos.

>>> Participe do grupo do Sechat no WHATSAPP e receba primeiro as notícias

Mais recentemente, a Ketamina passou a ser apreciada por seu valor no tratamento da depressão. Uma descoberta importante, mostra que pessoas agitadas que receberam a substância após uma tentativa de suicídio relataram uma queda acentuada nas ideações suicidas.

Lamar Odom (Foto: Reprodução)

O FDA recentemente adicionou depressão resistente ao tratamento como um diagnóstico onde a Ketamina pode ser prescrita e, celebridades, incluindo o ex-astro da NBA e membro da família Kardashian, Lamar Odom, endossam o grupo de pessoas que fazem uso do medicamento. Além disso, clínicas que oferecem tratamentos com Ketamina surgiram em todos os Estados Unidos

>>> Participe do grupo do Sechat no TELEGRAM e receba primeiro as notícias

Mas, como os cogumelos com psilocibina, a Ketamina tem alguns efeitos colaterais muito poderosos que nem todo usuário terapêutico deseja. Isso inclui sintomas psicóticos, bem como “hiperlocomoção”, que é exatamente o que parece: mover-se muito.

Em outras palavras, quando você está tomando Ketamina, você realmente não pode fazer muito mais. Você provavelmente precisa estar em uma clínica ou sob observação quando estiver sob tratamento, o que significa que seus benefícios práticos são limitados.

E se você pudesse limitar os efeitos colaterais negativos e ainda preservar o potencial terapêutico?

De acordo com uma pesquisa publicada recentemente , ao misturar Ketamina com canabidiol, ou CBD, o canabinóide menos psicoativo associado a benefícios anti-ansiedade e antiinflamatórios, pode ser possível fazer exatamente isso.

Observando que o CBD e a Ketamina pareciam ativar o mesmo receptor no cérebro, uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), administrou doses de Ketamina e CBD em camundongos, que variam de 2,5 a 30 miligramas por quilo de peso corporal. Alguns ratos receberam ambas as drogas, alguns apenas receberam uma ou outra.

Ketamina (Foto: Reprodução)

Os ratos machos que receberam Ketamina e CBD, tiveram um desempenho bom o suficiente em testes de movimento para sugerir que o CBD agia como um modulador que bloqueava certas “mudanças psicomotoras” enquanto ainda concedia os benefícios antidepressivos.

“Nossos resultados mostram pela primeira vez que o efeito antidepressivo do CBD, semelhante à Ketamina, depende da ativação dos receptores AMPA”, escreveram os autores em suas descobertas, publicadas na revista Neuropharmacology em dezembro.

>>> Inscreva-se em nossa NEWSLETTER e receba a informação confiável do Sechat sobre Cannabis Medicinal

Esse é um avanço interessante para a neurociência. Para o restante de nós, esses resultados significam que misturar CBD com cetamina “pode ser uma estratégia terapêutica atraente no tratamento da depressão, ao promover o efeito antidepressivo e ao mesmo tempo prevenir” os efeitos colaterais negativos da cetamina, acrescentaram.

O estudo tem algumas limitações. Pelo menos um muito óbvio é que se trata de um estudo em ratos de laboratório e não em pessoas. Mas as implicações são animadoras. E como a Organização Mundial da Saúde acredita que, em 2030, a depressão será a principal causa de incapacidade em todo o mundo, novos e eficazes tratamentos clínicos são vitais.