Tratamento psicodélico: psilocibina é eficaz por até um ano para alguns pacientes com depressão
Segundo um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Medicina Johns Hopkins, nos EUA, a substância psicoativa presente em alguns cogumelos é capaz de auxiliar no tratamento da depressão em um curto prazo de tempo

Por João R. Negromonte
Estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, revela que a psilocibina (substância psicodélica derivada de alguns cogumelos) pode auxiliar no tratamento da depressão, necessitando de menos tempo, em relação às alternativas medicamentosas convencionais, para apresentar um melhor resultado.
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A pesquisa, publicada na última terça-feira (15), no Journal of Psychopharmacology, denominada “Eficácia e segurança do tratamento assistido por psilocibina para transtorno depressivo maior: acompanhamento prospectivo de 12 meses”, reuniu 27 participantes com histórico de depressão frequente, nos quais a maioria convive com a doença há mais de dois anos.
A média de idade dos recrutados foi de 40 anos, sendo 19 mulheres e 8 homens entre os participantes do ensaio. Dentre eles, 85% relataram que fazem uso de antidepressivos tradicionais, sendo que 58% das 27 pessoas, só fizeram uso desses medicamentos durante suas crises.
Os participantes foram divididos em dois grupos, onde foram encaminhados para reuniões de acompanhamento que duravam de seis a oito horas com dois especialistas chamados de “facilitadores do tratamento”. Esses moderadores, tinham a missão de acompanhar e orientar os pacientes sobre os usos da substância psicodélica.
Após essa preparação, todos os pesquisados receberam duas doses de psilocibina ao longo de duas semanas, intercalando a cada sessão do medicamento com sessões de psicanálise ao longo de 12 meses. Dos 27 participantes, 24 completaram ambas as sessões entre ingestão do componente e avaliação de acompanhamento.
Segundo Natalie Gukasyan, professora assistente de psiquiatria e ciências comportamentais na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e responsável pelo estudo: “As descobertas aumentam a evidência de que, sob condições cuidadosamente controladas, esta é uma abordagem terapêutica promissora que pode levar a melhorias significativas e duradouras na depressão,” e ressalta: “os resultados que vemos estão em um cenário de pesquisa que exige muita preparação e apoio estruturado de médicos e terapeutas treinados, dessa maneira, as pessoas não devem tentar fazer o tratamento por conta própria.”
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É importante destacar também, que mais estudos ainda são necessários, mas, segundo os pesquisadores, os resultados desse ensaio foram animadores. Ao acompanhar o tratamento, eles puderam observar que os pacientes tiveram uma redução significativa na gravidade da doença ao longo de um, três, seis, e 12 meses, após o início do mesmo.
Para Roland Griffiths, Professor de Neuropsicofarmacologia da Consciência na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e um dos autores do estudo:
“Em comparação com os antidepressivos padrões, que devem ser tomados por longos períodos de tempo, a psilocibina tem o potencial de aliviar de forma duradoura os sintomas da depressão em um espaço de tempo de um a dois anos, isto é, bem menor que os tratamentos convencionais da doença.”
Diversos estudos já relataram a eficácia da psilocibina no tratamento da depressão, restaurando células cerebrais perdidas pela patologia. No entanto, essa nova pesquisa mostra que além do tratamento psicodélico ser benéfico contra a doença, ele garante uma maior qualidade de vida ao paciente durante um menor prazo de tempo.
