O que é Delta 8-THC (Δ8-THC)?

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Por Ricardo Ferreira

Basta começar a buscar informações de como a Cannabis funciona no corpo humano para encontrar inúmeras fontes falando sobre seus muitos componentes químicos e as diferentes propriedades de cada um.

Destes componentes, os dois mais citados são o THC e CBD. Os quais são
respectivamente abreviações de delta-9-tetra-hidrocanabinol (Δ9-THC) e canabidiol. Estas substâncias pertencem à classe dos canabinóides, além destes dois já foram descritos mais de 100 moléculas com algumas similaridades que também foram enquadradas neste grupo. Apesar da Cannabis conter outras substâncias em sua composição, os canabinoides são os princípios ativos que fazem da Cannabis uma planta com características especiais.

Dependendo da variedade genética da Cannabis e da forma que a planta foi cultivada encontraremos diferentes quantidades destes ativos; o que resultará em distintos efeitos e propriedades terapêuticas.

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De forma bem simplista podemos dizer que tanto o CBD quanto o THC tem potencial para ajudar pacientes em diferentes situações. Entretanto, diferente do CBD, dependendo da dose e sensibilidade individual, o THC tem a capacidade de causar efeitos psicoativos. Estes efeitos psicoativos podem ser positivos dissociando os pacientes das suas condições de sofrimento, entretanto, em algumas situações esta mesma psicoatividade pode atrapalhar a realização de atividades cotidianas, ou até mesmo causar sensações desprazerosas como ansiedade, paranoia, compulsões e ideias persecutórias.

Embora o conhecimento científico esteja muito focado nestes dois canabinóides, cada vez mais se avalia a importância dos outros canabinoides como alternativas para pacientes que não percebem resposta positiva com THC, CBD ou a combinação destes dois para o
controle dos seus sintomas.

Dentro destes outros canabinoides o que vem chamando mais atenção é o Delta 8 THC (Δ8-THC). O principal motivo para isso acontecer está relacionado a sua ação sobre o corpo humano ser muito similar ao velho conhecido Delta 9 THC (Δ9-THC), com a diferença dele ter menor potência psicoativa; o que tende a levar a efeitos psicoativos mais brandos e com
menor chance de ocorrência de psicoatividade negativa.

Na prática, percebemos que o Δ8-THC tem aproximadamente a metade da potência psicoativa do seu irmão Δ9-THC. E isso pode ser muito importante para pessoas que obtêm alívio dos seus sintomas com o Δ9-THC, mas que não conseguem se adaptar aos efeitos secundários sobre a mente.

Outro fato relevante do Δ8-THC é que ele pode ser obtido utilizando o CBD como base.

Apesar do Δ8-THC estar presente naturalmente planta sua quantidade é invariavelmente muito baixa, tornando a sua obtenção através do CBD a única alternativa viável para conseguirmos as quantidades que precisamos de Δ8-THC para percebermos alguma ação.

Através de um processo físico-químico relativamente simples é possível transformar o CBD em Δ8-THC. Como ele é derivado do CBD, atualmente em quase todo Estados Unidos o Δ8-THC não é considerado um produto controlado, podendo ser comercializado por lá de forma tão livre quanto o CBD; o qual foi regulamentado em 2018 com base na sua não psicoatividade.

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Vale lembrar que o Δ9-THC continua sendo proibido a nível federal nos EUA, e esta legislação inviabiliza a exportação de produtos com mais de 0,3% de THC; mesmo que este produto seja oriundo de um estado que permita o uso medicinal e recreacional de plantas com quantidades maiores de 0,3% de Δ9-THC.

Neste momento a livre circulação do Δ8-THC começa a ser contestada em alguns estados americanos. Produtores argumentam que como o Δ8-THC é obtido através de uma molécula de de venda livre que esta mesma liberdade de comercialização deva ser automaticamente estendida; e ponto final.

Mas como nada que envolve a Cannabis poderia ser tão simples… autoridades sanitárias em estados como Colorado, Nova York e Kentucky alegam que o fato do Δ8-THC ser psicoativo o coloca em categoria diferente do CBD, e que isso independe dele ser derivado de um canabinoide de produção e venda não controlada.

Com base neste argumento estes estados já baniram o Δ8-THC da venda livre. Enquanto as coisas não mudam federalmente nos EUA vivemos um momento o qual o Δ8-THC pode ser exportado de lá para outros países. E isso é favorável para nós no Brasil, pois apesar da ANVISA autorizar a pacientes fazerem a importação de produtos canábicos com qualquer canabinóide, na prática é muito difícil conseguirmos acesso a produtores que estejam em países que permitam a exportação de produtos com mais de 0,3% de Δ9-THC para pessoas físicas.

Outra vantagem do Δ8-THC é a sua estabilidade, que faz que ele possa ser guardado por períodos muito mais longos que os outros canabinoides mantendo as mesmas propriedades terapêuticas por mais tempo. Esta questão de estabilidade é um grande problema principalmente em relação ao Δ9-THC, uma vez que em função do tempo e exposição a luz esta molécula vai se transformando em canabinol (CBN), o qual é muito menos potente em relação ao Δ9-THC e tem a tendência de causar mais sedação/sonolência.

Como prescritores de produtos canábicos damos as boas vindas a novas alternativas de marcas, apresentações, fornecedores e diferentes opções de canabinóides. Isso porque, para ajudar nossos pacientes percebemos que os tratamentos com cannabis precisam ser individualizados, ou seja, mesmo tratando situações parecidas precisamos encontrar para cada paciente o princípio ativo e a dosagem que seja capaz de alcançar o equilíbrio entre
melhora dos sintomas com o mínimo de efeitos secundários negativos.

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As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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