Negócios

Aprovada lei pelo uso da cannabis medicinal no SUS paulista, agora é urgente sua regulamentação

A aprovação e posterior sanção do Projeto de Lei que prevê o fornecimento de medicamentos à base de cannabis na rede pública de saúde em São Paulo é, acima de tudo, uma vitória da sociedade civil

Aprovada lei pelo uso da cannabis medicinal no SUS paulista, agora é urgente sua regulamentação
Aprovada lei pelo uso da cannabis medicinal no SUS paulista, agora é urgente sua regulamentação

Por Patrícia Vilela Marino

Servindo como força propulsora da ação parlamentar, a cidadania ativa de pacientes, familiares, médicos, empresários e advogados, bem como organizações e plataformas inovadoras, como The Green Hub e o Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas da Cannabis (Ipsec) foi de crucial importância para informar e mobilizar a sociedade, que se manifestou através das mais de 50 mil assinaturas em petição pública a favor do PL 1.180/2019. Agora, temos pressa em avançar no processo de regulamentação para que a nova lei entre em vigor o mais rápido possível.

À frente do Instituto Humanitas360, me orgulho de ficar ao lado dessas pessoas e organizações, que agora celebram a possibilidade de levar alívio a milhares de famílias paulistas que aguardam o acesso democrático a tratamentos à base de canabidiol e tetrahidrocanabinol – componentes extraídos da cannabis para a produção de medicamentos já autorizados pela Anvisa e amplamente referendados pelos estudos mais avançados na área.

Não são poucos os males que podem ser remediados ou atenuados via cannabis medicinal, como epilepsia, Alzheimer, Parkinson, depressão e ansiedade. O direito das famílias de levar este alento a seus entes deve sempre pairar acima de qualquer preconceito e desinformação sobre a planta.

Como ativista da causa há mais de 10 anos, tive o orgulho de participar das discussões sobre cannabis na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que antecederam esta aprovação.

Em audiência pública que tratou dos aspectos de tecnologia e inovação associados à planta, pude conhecer de perto o trabalho da pioneira Frente Parlamentar em Defesa da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial, por meios da qual deputados estaduais colocaram de lado diferenças partidárias em nome do bem comum.

O trabalho da Frente Parlamentar pode e deve ser replicado em demais assembleias legislativas e câmaras municipais, ampliando o acesso a estes medicamentos a diversos cantos do país. Isto, no entanto, não deve nos fazer perder do horizonte a necessidade de se fazer aprovar uma Lei da Cannabis no plano nacional. É preciso tirar da gaveta o PL federal 399/2015, que autoriza os medicamentos com componentes extraídos da cannabis em todo o Brasil. Temos pressa.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Sobre a autora:

Patrícia Villela é advogada, empresária, ativista, colunista Sechat e presidente do Instituto Humanitas360, organização não governamental que visa reabilitar pessoas que estão, ou foram presas.