Canabinoides mostram resultados promissores contra agitação na doença de Alzheimer
Uma análise divulgou sete estudos clínicos e encontrou redução dos sintomas de agitação e alterações neuropsiquiátricas em pacientes com Alzheimer tratados com terapias à base de canabinoides

A busca por alternativas terapêuticas para os sintomas comportamentais da doença de Alzheimer ganhou novos dados científicos. Uma revisão sistemática com meta-análise identificou que terapias à base de canabinoides podem contribuir para a redução da agitação e de outros sintomas neuropsiquiátricos associados à doença.
Segundo o estudo, disponível na plataforma ScienceDirect, a agitação é uma das manifestações mais frequentes e desafiadoras do Alzheimer, impactando diretamente a qualidade de vida dos pacientes e aumentando a sobrecarga dos cuidadores.
O que a pesquisa avaliou
De acordo com o artigo, os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática registrada no banco internacional PROSPERO e seguiram as diretrizes PRISMA 2020 para avaliação de evidências científicas.
A análise reuniu sete estudos, sendo seis ensaios clínicos randomizados e uma coorte prospectiva aberta, envolvendo ao todo 221 participantes diagnosticados com doença de Alzheimer. O objetivo foi investigar a eficácia e a segurança de tratamentos à base de canabinoides para sintomas de agitação e alterações neuropsiquiátricas.
Canabinoides reduziram sintomas de agitação
Segundo os autores, os pacientes que receberam terapias canabinoides apresentaram escores mais baixos de sintomas neuropsiquiátricos e de agitação quando comparados aos grupos placebo.
Os resultados foram observados em diferentes escalas utilizadas para avaliar comportamento e sintomas relacionados à demência, incluindo o Neuropsychiatric Inventory (NPI) e o Cohen-Mansfield Agitation Inventory – Short Form (CMAI-SF). Além disso, as análises bayesianas indicaram probabilidade superior a 95% de que os canabinoides proporcionem redução desses sintomas.
Benefícios cognitivos ainda não foram confirmados
Embora os resultados tenham sido positivos para a agitação e outros sintomas comportamentais, a pesquisa não encontrou evidências consistentes de melhora cognitiva.
De acordo com o estudo, as avaliações realizadas por meio do Mini-Mental State Examination (MMSE) não demonstraram benefícios claros sobre memória ou funções cognitivas dos pacientes.
Sonolência foi o principal efeito adverso observado
A sonolência apareceu como o sinal de segurança mais consistente entre os estudos analisados. Os pesquisadores identificaram maior ocorrência desse efeito nos grupos tratados com canabinoides quando comparados ao placebo. Já eventos como fadiga e quedas foram registrados, mas os dados disponíveis ainda são considerados insuficientes para conclusões definitivas.
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que as evidências ainda apresentam limitações importantes. Entre elas estão o número reduzido de estudos, a diversidade de formulações canabinoides utilizadas, os diferentes instrumentos de avaliação e o curto período de acompanhamento dos participantes.
Por isso, os pesquisadores defendem a realização de novos ensaios clínicos randomizados com protocolos mais padronizados, maior tempo de acompanhamento e monitoramento sistemático de segurança.
O estudo conclui que as terapias à base de canabinoides apresentaram melhores resultados para sintomas de agitação e manifestações neuropsiquiátricas do Alzheimer quando comparadas ao placebo, embora a literatura científica ainda demande investigações mais robustas para definir protocolos clínicos e perfis de segurança de longo prazo.
