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Cannabis e melatonina ajudam a reduzir dose de quimioterapia em pesquisa inédita

Pesquisa mostra que a combinação entre canabinoides, melatonina e cisplatina potencializou a ação antitumoral e permitiu reduzir a dose do quimioterápico em modelos celulares de osteossarcoma e condrossarcoma

Cannabis e melatonina ajudam a reduzir dose de quimioterapia em pesquisa inédita
Pesquisadora analisa células de câncer ósseo em laboratório durante estudo com canabinoides, melatonina e cisplatina | CanvaPro

Em busca de tratamentos cada vez mais eficazes e menos agressivos, pesquisadores investigaram uma estratégia capaz de preservar o efeito da quimioterapia enquanto reduz sua toxicidade. O resultado veio da combinação entre canabidiol (CBD), tetrahidrocanabinol (THC), melatonina e cisplatina, que demonstrou potencial para combater células de osteossarcoma e condrossarcoma utilizando doses menores do quimioterápico.

Segundo o estudo, a combinação promoveu uma ação seletiva sobre as células tumorais, aumentando mecanismos relacionados à morte celular programada e reduzindo características associadas à progressão do câncer, como migração e invasão celular.

A pesquisa foi conduzida por cientistas das universidades Erciyes e Yozgat Bozok, na Turquia, utilizando culturas de células de osteossarcoma, condrossarcoma, fibroblastos e osteoblastos normais. O objetivo era verificar se melatonina e canabinoides poderiam potencializar a ação da cisplatina, medicamento amplamente empregado no tratamento desses tumores, mas limitado por efeitos adversos importantes e pelo desenvolvimento de resistência ao tratamento.

Vale lembrar que o uso de canabinoides na oncologia tem sido estudado não apenas pelo potencial de controle de sintomas, mas também como possível aliado da quimioterapia. No Portal Sechat, diversos estudos já mostraram como os compostos da cannabis vêm despertando interesse da comunidade científica em diferentes tipos de câncer.

Canabinoides permitiram reduzir a dose da cisplatina

De acordo com o estudo, as combinações que reuniram THC, melatonina e cisplatina apresentaram os melhores resultados, permitindo reduzir entre 2,77 e 4,38 vezes a dose necessária de cisplatina sem perda da atividade antitumoral em alguns modelos celulares.

Os pesquisadores observaram ainda aumento da expressão de genes relacionados à apoptose — mecanismo natural de morte das células — além de fragmentação do DNA, alterações mitocondriais e condensação da cromatina, todos indicativos de destruição das células cancerígenas. Esses efeitos ocorreram predominantemente nas células tumorais, enquanto as células normais apresentaram alterações discretas.

Segundo o artigo, os canabinoides também reduziram significativamente a migração e a invasão celular, dois processos diretamente relacionados ao potencial metastático dos tumores. Entre os compostos avaliados isoladamente, o CBD apresentou uma das maiores capacidades de inibir a invasão das células de osteossarcoma.

Resultados ainda são pré-clínicos

Segundo os autores, a estratégia combina diferentes mecanismos biológicos simultaneamente: enquanto a cisplatina promove danos ao DNA tumoral, a melatonina participa da modulação do estresse oxidativo e da apoptose, e os canabinoides atuam sobre processos relacionados à proliferação, migração e invasão das células cancerígenas.

Na conclusão do trabalho, os pesquisadores afirmam que a combinação entre melatonina, CBD, THC e cisplatina representa uma estratégia promissora para o tratamento de osteossarcoma e condrossarcoma por aumentar a apoptose, reduzir a necessidade do quimioterápico e preservar as células saudáveis. No entanto, ressaltam que os achados ainda são restritos a estudos laboratoriais e que novas pesquisas em modelos animais e ensaios clínicos serão necessárias para confirmar a segurança e a eficácia dessa abordagem em pacientes.