Cannabis em estufa: estudo revela vantagem econômica

Estudo realizado em Nova York mostra que o cultivo de cannabis em estufa pode ter maior rentabilidade com variedades fotoperiódicas. Confira!

Cannabis em estufa foi avaliada em estudo que comparou produtividade e rentabilidade de variedades fotoperiódicas e autoflorescentes | CanvaPro

Cultivar cannabis em estufa é uma estratégia que permite maior controle sobre luz, temperatura, umidade e outros fatores que influenciam o desenvolvimento das plantas. 

Agora, um estudo realizado em Nova York aponta que, em determinadas condições, as variedades fotoperiódicas podem oferecer uma vantagem econômica importante em relação às autoflorescentes.

O trabalho avaliou produtividade, características das plantas, custos de produção e rentabilidade em uma estufa comercial no estado de Nova York.

Os resultados mostram que a escolha da genética pode fazer diferença não apenas na colheita, mas também na conta final da produção.

Cannabis em estufa combina tecnologia e controle

O cultivo protegido permite criar um ambiente mais previsível para o desenvolvimento das plantas. 

Em vez de depender exclusivamente das condições externas, o produtor consegue controlar diversos elementos que interferem no ciclo da cannabis.

No estudo, a produção ocorreu em uma estrutura de aproximadamente 30 mil pés quadrados, dividida em diferentes módulos de cultivo.

Os pesquisadores compararam variedades fotoperiódicas e autoflorescentes, observando tanto o desempenho agronômico quanto os impactos econômicos de cada sistema.

Entre os fatores analisados estavam:

  • produtividade por planta;
  • duração do ciclo;
  • biomassa produzida;
  • custos de mão de obra;
  • número de cultivos possíveis por ano;
  • concentração de canabinoides;
  • receita estimada.

Essa combinação permitiu que os pesquisadores fossem além da pergunta sobre qual planta produz mais. O objetivo foi entender qual sistema poderia oferecer melhor resultado financeiro.

Plantas fotoperiódicas tiveram maior rentabilidade

No cenário analisado, as variedades fotoperiódicas apresentaram maior retorno econômico.

De acordo com o estudo, o cultivo fotoperiódico gerou um retorno estimado de US$ 7,18 por pé quadrado acima dos custos totais. Já o cenário das autoflorescentes apresentou resultado de US$ 1,48 por pé quadrado abaixo dos custos totais.

A diferença está relacionada principalmente à maior produtividade das plantas fotoperiódicas.

Embora as autoflorescentes tenham ciclos mais rápidos e permitam realizar mais cultivos ao longo do ano, as fotoperiódicas apresentaram maior produção por planta.

É justamente aí que a matemática da produção muda.

Uma planta que permanece mais tempo no ambiente protegido pode exigir mais recursos, mas também pode entregar uma quantidade maior de biomassa na colheita.

Como funciona o cultivo de cannabis em estufa?

Uma das características mais importantes do cultivo em ambiente protegido é a possibilidade de controlar o fotoperíodo.

As variedades fotoperiódicas respondem às mudanças na duração do período de luz e escuridão. Já as autoflorescentes iniciam a floração independentemente dessa alteração.

No estudo realizado em Nova York, as plantas passaram inicialmente por um período de 18 horas de luz e seis horas de escuro.

Durante a fase de floração, o período foi alterado para 12 horas de luz e 12 horas de escuro.

A estratégia mostra como o ambiente de uma estufa pode ser utilizado para criar condições específicas para cada etapa do desenvolvimento da planta.

Temperatura e umidade também foram controladas ao longo do experimento, reforçando a importância do manejo ambiental para a produção.

Cannabis em estufa exige atenção aos custos

Mais controle também significa mais responsabilidade sobre os custos.

A mão de obra foi o principal componente dos custos variáveis analisados pelos pesquisadores. 

Nas variedades autoflorescentes, representou 52% desses custos. Entre as fotoperiódicas, correspondeu a 34%.

O resultado chama atenção porque mostra que produtividade e eficiência precisam caminhar juntas.

Um ciclo mais rápido não necessariamente significa maior rentabilidade. Da mesma forma, uma planta que produz mais também pode exigir mais tempo e trabalho.

Por isso, a escolha do sistema precisa considerar o modelo de negócio como um todo.

Para produtores, alguns pontos são especialmente importantes:

  • custo da mão de obra;
  • investimento em infraestrutura;
  • consumo de energia;
  • duração do ciclo;
  • produtividade por planta;
  • preço de comercialização;
  • quantidade de ciclos anuais.

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A genética também influencia o resultado

O estudo acompanhou diferentes variedades de cannabis e encontrou diferenças relevantes entre elas.

Nas fotoperiódicas, foram analisadas seis variedades: Bop Gun, Doc Holiday 4, GMO, Animal Face, Kosher Kush e Donkey Butter.

Entre as autoflorescentes, os pesquisadores avaliaram Sour Apple e Carmel Cream Gelato.

A comparação reforça um ponto importante para quem acompanha a evolução do setor: não existe uma única característica capaz de determinar o sucesso de uma produção.

Genética, ambiente, manejo e estratégia comercial estão conectados.

No cultivo de cannabis em estufa, essa relação pode ser ainda mais evidente porque o produtor possui maior capacidade de interferir nas condições ambientais.

Produtividade não significa rentabilidade garantida

Apesar dos resultados favoráveis às variedades fotoperiódicas, os pesquisadores fazem uma ressalva importante.

Os números econômicos apresentados são baseados em determinadas premissas de produtividade e preço. Se essas variáveis mudarem, o resultado financeiro também pode mudar.

Em outras palavras, uma estratégia que se mostrou rentável em Nova York não necessariamente terá o mesmo desempenho em outro país, região ou modelo produtivo.

O preço da cannabis, o custo da estrutura, a mão de obra, as características climáticas e as regras do mercado podem alterar completamente a equação.

Por isso, o estudo deve ser interpretado como uma análise de um cenário específico — e não como uma promessa de rentabilidade.

O que o estudo revela sobre a cannabis em estufa?

Mais do que apontar uma vencedora entre variedades fotoperiódicas e autoflorescentes, a pesquisa mostra como decisões agronômicas podem impactar diretamente a economia de uma produção.

No cenário estudado, as plantas fotoperiódicas compensaram o ciclo mais longo com maior produtividade por planta.

Já as autoflorescentes apresentaram como principal vantagem a possibilidade de ciclos mais rápidos.

A escolha, portanto, depende do objetivo de cada operação.

Para sistemas que valorizam velocidade, as autoflorescentes podem apresentar vantagens. Para estruturas capazes de sustentar ciclos mais longos e buscar maior produção por planta, as fotoperiódicas podem ser mais interessantes.

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Cannabis em estufa ganha espaço nas pesquisas

O crescimento dos mercados regulamentados de cannabis também aumenta a necessidade de pesquisas sobre produtividade e eficiência.

Nesse contexto, estudos realizados em condições comerciais podem ajudar produtores e pesquisadores a compreender melhor os fatores que determinam o desempenho das plantas.

A pesquisa contribui justamente para essa discussão ao reunir dados agronômicos e econômicos em uma mesma análise.

Ainda são necessários novos estudos para avaliar diferentes genéticas, condições ambientais, estruturas de cultivo e modelos de produção.

Afinal, quando se fala em cannabis em estufa, não existe uma receita única.

Existe uma combinação de decisões.

E quanto mais precisos forem os dados sobre cada uma delas, maior será a capacidade de transformar uma estufa em um ambiente de produção eficiente, previsível e sustentável.