Negócios

Cannect compra Pill e projeta R$ 200 mi: O novo hub de saúde e cannabis

Cannect adquire Pill, expande para 17 mil remédios e prevê R$ 200 mi. Allan Paiotti explica a fusão no Sechat News. Confira a matéria completa!

Cannect compra Pill e projeta R$ 200 mi: O novo hub de saúde e cannabis
Allan Paiotti, CEO e cofundador da Cannect, detalha os planos de expansão após a aquisição da Pill e a meta de R$ 200 milhões. Foto: Reprodução / Sechat
A plataforma de saúde Cannect anunciou a aquisição da farmácia digital Pill, startup especializada na venda e entrega contínua de medicamentos para doenças crônicas. Embora o valor da negociação não tenha sido divulgado pela Cannect, a movimentação marca um passo decisivo na transformação da empresa, que nasceu e se consolidou como referência em cannabis medicinal e agora se projeta como um hub completo para a saúde de pacientes crônicos.


 

Em entrevista ao jornalista Leandro Maia no Sechat News, Allan Paiotti, CEO e cofundador da Cannect, detalhou os motivos estratégicos da fusão, a integração de mais de 17 mil produtos convencionais ao portfólio e a projeção de ultrapassar R$ 200 milhões em faturamento até o fim de 2028.
 
 

VEJA A ENTREVISTA COM ALLAN PAIOTTI, CEO DA CANNECT:


 

1. Visão de Negócio & Ecossistema de Saúde Crônica

Paiotti relembrou a origem da Cannect em 2021, destacando que a empresa não foi concebida com um foco estrito em cannabis medicinal, mas sim na gestão da jornada de saúde de pacientes crônicos.


 

"A Cannect nasceu em 2021 com a missão de oferecer um ambiente onde a gente pode cuidar da jornada de saúde de pacientes crônicos, quaisquer que sejam as doenças crônicas", explicou Paiotti.


 

Segundo o executivo, pesquisas e dados do setor mostram que quase 70% dos pacientes crônicos desconectam do tratamento ao longo da jornada por falta de acompanhamento, esquecimento ou dificuldades de acesso.


 

"A cabeça nunca começou com uma visão de estritamente focar em cannabis medicinal. Quando a Cannect começou a ser montada, a gente cruzou com o mundo da cannabis medicinal e viu ali uma oportunidade de uma nova terapia focada em doenças crônicas (...) Mas a visão sempre foi: como a gente, ao crescer e evoluir, ia expandindo as terapias disponíveis para tratar outras doenças crônicas onde não existe evidência científica para o uso da cannabis medicinal".


 

Com a incorporação da Pill, a empresa passa a atender condições como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares, integrando tratamentos alopáticos tradicionais à sua estrutura de telemedicina e acompanhamento multidisciplinar.


 

2. Integração do Portfólio e Linha de Medicamentos

A chegada da Pill agrega um portfólio de quase 17 mil medicamentos convencionais, funcionando com o catálogo de uma farmácia tradicional, mas com uma estrutura nativa digital.


 

"Esta oportunidade de integrar a Pill ao ecossistema fecha esse capítulo de construção do ecossistema onde a gente pode hoje abordar qualquer tipo de doença crônica que seja avaliada por qualquer médico conectado com a Cannect", ressaltou Paiotti.


 

Sobre o motivo de ter optado pela aquisição em vez de construir do zero uma nova licença farmacêutica, o CEO destacou a velocidade de operação:


 

"A farmácia é uma entidade regulada, tem normativas da Anvisa e do Ministério da Saúde. A oportunidade que a Pill nos trouxe foi de acelerar mais rápido nesse caminho, porque a Pill já está há 5 anos desenvolvendo todas as soluções digitais, a assinatura digital, soluções de entrega e conexões com a indústria farmacêutica. Foi um feliz alinhamento astral em que a gente pôde encurtar isso em muitos meses".


 

A integração de sistemas entre as plataformas já permite que pacientes acessem os 17 mil medicamentos alopáticos pelo aplicativo ou site da Cannect e vice-versa. A Pill funcionará como uma vertical dentro do ecossistema.


 

3. Modelo de Assinatura, Recorrência e Ajuste com a Anvisa

A Pill traz uma base sólida de cerca de 150 mil clientes ativos que utilizam o modelo de entrega programada e assinatura para medicamentos de uso contínuo. Allan Paiotti ressaltou que esse modelo será integrado de forma complementar com os tratamentos de cannabis medicinal.


 

"O médico é quem vai definir a conduta terapêutica. Se o paciente tiver como orientação de tratamento oferecida pelo seu médico cannabis medicinal importada, nós vamos assessorar e apoiar o paciente para que essa importação seja feita e ele receba em casa. Se for um produto de cannabis disponível via farmácia, nós temos isso através da farmácia. E se for prescrito algum medicamento alopático junto, a gente vai poder oferecer através desse portfólio de quase 17 mil produtos da Pill".


 

O executivo explicou ainda que o modelo de assinatura da Pill oferece monitoramento de mercado para preços competitivos e descontos adicionais para entregas recorrentes (mensais ou bimestrais), garantindo previsibilidade de tratamento para o paciente.


 

4. Projeção de R$ 200 Milhões em Faturamento até 2028

Questionado sobre a projeção divulgada na imprensa de atingir R$ 200 milhões em faturamento nos próximos quatro anos, Paiotti confirmou o objetivo e explicou que a meta é sustentada pela ampliação do público-alvo.


 

"Essa é uma projeção que a gente tem essencialmente deste movimento de integrar esse portfólio mais abrangente de terapias. A gente sai de um universo focado nas doenças tratáveis com cannabis medicinal para potencialmente tratar o que a gente estima ter mais de 200 milhões de brasileiros com algum tipo de condição crônica no Brasil".


 

O executivo adiantou também que o grupo estuda novos movimentos no mercado de saúde:


 

"A gente está sim olhando outros movimentos que vão ser bastante transformadores para os próximos meses para fortalecer esse posicionamento como um player consolidado de atendimento primário".


 

Ao comentar sobre o histórico de captação de recursos e a entrada de investidores de peso na Cannect — como os fundos Supera (gestora que reúne Globo Ventures, Luciano Huck, Gilberto Sayão e Duda Melzer), YaaX Capital (México) e a BluStone (fundo criado por ex-executivos do Pátria Investimentos) —, Allan ressaltou que os resultados financeiros são consequência de um trabalho sustentável.

Desde a sua fundação, em 2021, a Cannect acumulou R$ 40 milhões em captações. A rodada mais recente ocorreu em 2023, liderada pela Supera Capital e pela BluStone, com participação da YaaX Capital e de family offices.


 

"Eu queria criar uma empresa sem essa pressão de fazer algo rápido em 2 ou 3 anos para vender. Os números têm que ser resultado de um trabalho consistente em um mercado potencial muito grande (...) A gente quer fazer algo sustentável, com base na ciência, muito pé no chão, e os resultados vão vir naturalmente".


 

5. Análise do Mercado de Cannabis, Anvisa e Importação (RDC 660 x RDC 1015)

Sobre a maturidade do setor de cannabis medicinal no Brasil — mercado que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em 2025 —, Allan Paiotti fez um panorama sobre a guerra de preços e o cenário regulatório nacional e internacional.


 

Mercado Americano e Reclassificação

Sobre as discussões nos Estados Unidos e possíveis restrições de THC, Paiotti avaliou:


 

"É uma indústria acima de 30 bilhões de dólares. É difícil acreditar que numa canetada vão colocar uma indústria desse tamanho de joelhos. Acho que é um processo natural de negociação (...) Ajustes vão ser feitos, mas não acho que o impacto vai ser tão drástico como estão dizendo de limitar todos os produtos com THC".


 

Mercado Brasileiro: Importação (RDC 660) x Farmácias (RDC 327 / 1015)

Em relação ao mercado nacional, o CEO destacou que o setor passa por um processo natural de depuração:


 

"O mercado local apostou prioritariamente no CBD isolado. O que a gente está vendo acontecer é uma disputa e guerra de preços. CBD isolado é uma molécula dentro de um frasco, é difícil diferenciar se não pela qualidade. Por outro lado, a gente vê na demanda dos médicos uma busca por formulações mais complexas, Broad Spectrum e Full Spectrum, porque os resultados clínicos têm demonstrado melhores resultados".


 

Paiotti defendeu a coexistência e evolução harmoniosa entre as resoluções da Anvisa:


 

"A via da importação vai continuar sendo muito especializada, trazendo variabilidade de produtos. Meu grande pleito para esse setor é que a gente deveria parar com essa disputa entre RDC 1015 (antiga 327) e RDC 660. A 660 é uma grande porta de entrada para variabilidade de formulações, e a Anvisa deveria ajudar a definir regras para subir o nível de exigência e qualidade desses produtos, até um ponto em que a evolução da 660 para a 1015 seja natural e não uma relação de conflito".


 

O executivo concluiu enfatizando a importância da educação médica continuada e da disseminação responsável da cannabis medicinal para ampliar o acesso no Brasil com rigor científico e segurança para o paciente

Revisado por Redação Jornalística Sechat