Cannect compra Pill e projeta R$ 200 mi: O novo hub de saúde e cannabis
Cannect adquire Pill, expande para 17 mil remédios e prevê R$ 200 mi. Allan Paiotti explica a fusão no Sechat News. Confira a matéria completa!

VEJA A ENTREVISTA COM ALLAN PAIOTTI, CEO DA CANNECT:
1. Visão de Negócio & Ecossistema de Saúde Crônica
"A Cannect nasceu em 2021 com a missão de oferecer um ambiente onde a gente pode cuidar da jornada de saúde de pacientes crônicos, quaisquer que sejam as doenças crônicas", explicou Paiotti.
"A cabeça nunca começou com uma visão de estritamente focar em cannabis medicinal. Quando a Cannect começou a ser montada, a gente cruzou com o mundo da cannabis medicinal e viu ali uma oportunidade de uma nova terapia focada em doenças crônicas (...) Mas a visão sempre foi: como a gente, ao crescer e evoluir, ia expandindo as terapias disponíveis para tratar outras doenças crônicas onde não existe evidência científica para o uso da cannabis medicinal".
2. Integração do Portfólio e Linha de Medicamentos
"Esta oportunidade de integrar a Pill ao ecossistema fecha esse capítulo de construção do ecossistema onde a gente pode hoje abordar qualquer tipo de doença crônica que seja avaliada por qualquer médico conectado com a Cannect", ressaltou Paiotti.
"A farmácia é uma entidade regulada, tem normativas da Anvisa e do Ministério da Saúde. A oportunidade que a Pill nos trouxe foi de acelerar mais rápido nesse caminho, porque a Pill já está há 5 anos desenvolvendo todas as soluções digitais, a assinatura digital, soluções de entrega e conexões com a indústria farmacêutica. Foi um feliz alinhamento astral em que a gente pôde encurtar isso em muitos meses".
3. Modelo de Assinatura, Recorrência e Ajuste com a Anvisa
"O médico é quem vai definir a conduta terapêutica. Se o paciente tiver como orientação de tratamento oferecida pelo seu médico cannabis medicinal importada, nós vamos assessorar e apoiar o paciente para que essa importação seja feita e ele receba em casa. Se for um produto de cannabis disponível via farmácia, nós temos isso através da farmácia. E se for prescrito algum medicamento alopático junto, a gente vai poder oferecer através desse portfólio de quase 17 mil produtos da Pill".
4. Projeção de R$ 200 Milhões em Faturamento até 2028
"Essa é uma projeção que a gente tem essencialmente deste movimento de integrar esse portfólio mais abrangente de terapias. A gente sai de um universo focado nas doenças tratáveis com cannabis medicinal para potencialmente tratar o que a gente estima ter mais de 200 milhões de brasileiros com algum tipo de condição crônica no Brasil".
"A gente está sim olhando outros movimentos que vão ser bastante transformadores para os próximos meses para fortalecer esse posicionamento como um player consolidado de atendimento primário".
Ao comentar sobre o histórico de captação de recursos e a entrada de investidores de peso na Cannect — como os fundos Supera (gestora que reúne Globo Ventures, Luciano Huck, Gilberto Sayão e Duda Melzer), YaaX Capital (México) e a BluStone (fundo criado por ex-executivos do Pátria Investimentos) —, Allan ressaltou que os resultados financeiros são consequência de um trabalho sustentável.
Desde a sua fundação, em 2021, a Cannect acumulou R$ 40 milhões em captações. A rodada mais recente ocorreu em 2023, liderada pela Supera Capital e pela BluStone, com participação da YaaX Capital e de family offices.
"Eu queria criar uma empresa sem essa pressão de fazer algo rápido em 2 ou 3 anos para vender. Os números têm que ser resultado de um trabalho consistente em um mercado potencial muito grande (...) A gente quer fazer algo sustentável, com base na ciência, muito pé no chão, e os resultados vão vir naturalmente".
5. Análise do Mercado de Cannabis, Anvisa e Importação (RDC 660 x RDC 1015)
Mercado Americano e Reclassificação
"É uma indústria acima de 30 bilhões de dólares. É difícil acreditar que numa canetada vão colocar uma indústria desse tamanho de joelhos. Acho que é um processo natural de negociação (...) Ajustes vão ser feitos, mas não acho que o impacto vai ser tão drástico como estão dizendo de limitar todos os produtos com THC".
Mercado Brasileiro: Importação (RDC 660) x Farmácias (RDC 327 / 1015)
"O mercado local apostou prioritariamente no CBD isolado. O que a gente está vendo acontecer é uma disputa e guerra de preços. CBD isolado é uma molécula dentro de um frasco, é difícil diferenciar se não pela qualidade. Por outro lado, a gente vê na demanda dos médicos uma busca por formulações mais complexas, Broad Spectrum e Full Spectrum, porque os resultados clínicos têm demonstrado melhores resultados".
"A via da importação vai continuar sendo muito especializada, trazendo variabilidade de produtos. Meu grande pleito para esse setor é que a gente deveria parar com essa disputa entre RDC 1015 (antiga 327) e RDC 660. A 660 é uma grande porta de entrada para variabilidade de formulações, e a Anvisa deveria ajudar a definir regras para subir o nível de exigência e qualidade desses produtos, até um ponto em que a evolução da 660 para a 1015 seja natural e não uma relação de conflito".
O executivo concluiu enfatizando a importância da educação médica continuada e da disseminação responsável da cannabis medicinal para ampliar o acesso no Brasil com rigor científico e segurança para o paciente.
Revisado por Redação Jornalística Sechat
