Política Internacional

Casa Branca recua de proibição ampla do cânhamo e pressiona Congresso por regras mais justas

A poucos meses da entrada em vigor de uma lei que pode restringir grande parte dos produtos derivados de cânhamo nos Estados Unidos, a Casa Branca intensificou a pressão sobre o Congresso para revisar a legislação e preservar o acesso a produtos de CBD de espectro completo

Casa Branca recua de proibição ampla do cânhamo e pressiona Congresso por regras mais justas
Governo dos Estados Unidos busca evitar a recriminalização ampla de produtos derivados de cânhamo prevista para novembro de 2026 | CanvaPro

A poucos meses da entrada em vigor de uma legislação que pode transformar profundamente o mercado de cânhamo nos Estados Unidos, a Casa Branca iniciou uma nova ofensiva política para impedir a recriminalização em larga escala de produtos derivados da planta.

Segundo o site Marijuana Moment, o governo norte-americano solicitou ao Congresso medidas para garantir o "tratamento justo dos produtos de cânhamo", incluindo a revisão da regulamentação federal atualmente prevista para entrar em vigor em novembro de 2026. A movimentação foi formalizada em uma carta enviada pelo diretor do Escritório de Gestão e Orçamento (OMB), Russell Vought, ao presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.

A proposta surge em meio a um pedido suplementar de recursos federais voltado a diferentes áreas do governo, mas inclui um capítulo específico dedicado ao futuro da indústria do cânhamo. De acordo com o documento, a administração defende mudanças que permitam a continuidade do acesso a produtos adequados de CBD de espectro completo, ao mesmo tempo em que busca restringir itens considerados de maior risco à saúde pública.

O que está em jogo para o mercado de cânhamo

A legislação aprovada no fim de 2025 alterou a definição federal de cânhamo e estabeleceu novas restrições para produtos derivados da planta. Caso nenhuma mudança seja aprovada pelo Congresso, a nova regra passará a valer em 12 de novembro de 2026.

Especialistas do setor alertam que a medida poderá afetar não apenas produtos com potencial psicoativo, mas também diversos itens de CBD amplamente utilizados por consumidores norte-americanos.

A Casa Branca defende duas alternativas: revisar a legislação para adequar a regulamentação dos produtos derivados de cânhamo ou, ao menos, adiar a implementação das novas regras para que o Congresso tenha mais tempo para construir um marco regulatório definitivo.

Governo quer preservar acesso ao CBD de espectro completo

De acordo com o site, o governo já vinha sinalizando preocupação com os impactos da futura proibição.

Em abril deste ano, o presidente Donald Trump chegou a pedir publicamente que o Congresso atualizasse a legislação para garantir que consumidores continuassem tendo acesso aos produtos de CBD de espectro completo.

A mesma posição voltou a aparecer agora no pedido enviado ao Congresso. Segundo o documento citado pelo veículo, a intenção é permitir que os americanos continuem se beneficiando de produtos adequados derivados de cânhamo, preservando simultaneamente as restrições para itens considerados de maior risco.

Setor vê sinal positivo para a indústria

A movimentação foi recebida com entusiasmo por representantes da indústria do cânhamo.

Segundo o Marijuana Moment, Jonathan Miller, conselheiro-geral da U.S. Hemp Roundtable, afirmou que o setor vê com bons olhos a defesa de um modelo regulatório em substituição à proibição ampla prevista para novembro.

Para entidades do segmento, a criação de regras claras pode oferecer maior segurança jurídica para produtores, varejistas e consumidores, além de preservar um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente nos Estados Unidos.

Fonte: conteúdo originalmente publicado pelo portal Marijuana Moment.