Debate sobre cannabis nos EUA avança após audiência revelar impasse jurídico
Audiência da DEA reuniu apenas opositores da reclassificação da cannabis, mas depoimentos acabaram reforçando argumentos favoráveis à mudança da planta para a Lista III de substâncias controladas

Por mais de cinco décadas, a cannabis permaneceu na Lista I de substâncias controladas dos Estados Unidos, classificação reservada às drogas consideradas sem uso medicinal aceito e com alto potencial de abuso. Em abril de 2026, parte desse cenário começou a mudar, quando o governo federal transferiu para a Lista III os medicamentos à base de cannabis aprovados pela FDA e os produtos medicinais produzidos sob licenças estaduais. A discussão sobre o restante da planta, porém, segue em aberto.
Segundo o site El Planteo, uma audiência realizada em Arlington, na Virgínia, para discutir essa reclassificação terminou produzindo um resultado inesperado. Embora apenas representantes contrários à mudança tenham participado formalmente do processo, parte dos depoimentos acabou reforçando argumentos favoráveis à reforma.
Depoimentos enfraquecem argumentos da oposição
Entre as testemunhas estava o xerife William Honsal, do condado de Humboldt, na Califórnia. Convidado para defender que a regulamentação estimula o mercado ilegal, ele afirmou durante o interrogatório que a cannabis regulamentada pode facilitar o trabalho das forças de segurança e que grande parte da produção ilegal não tem origem no mercado licenciado, mas sim em operações clandestinas. De acordo com o site, a declaração contrariou a principal tese apresentada pelos estados que contestam a reclassificação.
Outro momento que chamou atenção envolveu Bertha Madras, professora de Harvard e integrante da organização Smart Approaches to Marijuana. Conforme relato citado pelo veículo, durante os questionamentos ela teria reconhecido que a cannabis atende aos critérios para integrar a Lista III, embora a transcrição oficial da audiência ainda não tenha sido divulgada.
Disputa jurídica pode definir futuro da cannabis nos EUA
Além das evidências científicas, a audiência evidenciou que o principal debate envolve os critérios legais utilizados pelo governo para reconhecer o uso medicinal da cannabis. Enquanto a DEA tradicionalmente adota um teste composto por cinco requisitos, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos passou a utilizar uma análise considerada mais ampla para embasar a proposta de reclassificação. Segundo o El Planteo, essa divergência poderá ser decisiva nos tribunais.
Decisão pode influenciar o mercado global
Encerrada a fase de audiências, o juiz administrativo deverá elaborar uma recomendação que será encaminhada ao administrador da DEA, responsável pela decisão final. Paralelamente, ações judiciais continuam em andamento contestando a medida anunciada pelo governo em abril.
Fonte: El.Planteo.
