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Entourage Phytolab leva debate sobre dor crônica e canabinoides ao CBCM 2026

Com palestra do médico fisiatra Dr. Renato Martins, sessão destacou o papel dos canabinoides no manejo da dor com foco em prática clínica e evidência científica durante o congresso

Entourage Phytolab leva debate sobre dor crônica e canabinoides ao CBCM 2026
Simpósio sobre cannabis medicinal e dor crônica apresentado pela Entourage Phytolab no CBCM 2026 com participação do médico Renato Martins.

A Entourage Phytolab participou do 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM 2026) com a realização de um simpósio satélite voltado ao manejo clínico da dor crônica por meio dos canabinoides. Intitulada "Dor e os Canabinoides: uma nova perspectiva terapêutica", a sessão foi conduzida pelo médico fisiatra Renato Martins e integrou a programação oficial do principal encontro do setor na América Latina.

A participação reforça o papel do CBCM como espaço central para discussão da evolução clínica da cannabis medicinal no Brasil. Em 2026, o CBCM e a CF  reuniram mais de 6.522 visitantes, sendo 1.387 congressistas, consolidando-se como referência no setor com um aumento de público de aproximadamente 40% em relação a edição de 2025. 

O simpósio ocorreu em um momento de inflexão para a cannabis medicinal brasileira. Segundo as estimativas da Kaya Mind, é possível considerar que o país já se aproxima de 1 milhão de pacientes em tratamento. Já segundo a Close-Up International, mais de 61 mil médicos já emitiram prescrições de canabinoides no Brasil. A discussão se desloca, com isso, da etapa de acesso para a etapa de qualidade e maturidade clínica das formulações — o tema central abordado na sessão.

 

Dor crônica como agenda clínica e canabinoides como nova frente

A dor crônica figura entre as principais causas de afastamento laboral e demanda assistencial no Brasil. Seu manejo, historicamente baseado em anti-inflamatórios não-esteroides, opioides e adjuvantes neuromoduladores, convive com limitações conhecidas: efeitos adversos com uso prolongado, risco de dependência e resposta clínica heterogênea, especialmente em quadros refratários.

Nos últimos anos, o sistema endocanabinoide passou a ser estudado como alvo terapêutico complementar nesses cenários. Revisões clínicas recentes apontam o canabidiol e o tetrahidrocanabinol como moléculas com efeito antinociceptivo demonstrado em ensaios pré-clínicos e em estudos clínicos exploratórios — particularmente em dor neuropática e fibromialgia.

“A dor crônica é multifatorial e seu manejo exige abordagens igualmente plurais. O sistema endocanabinoide tem demonstrado, em estudos recentes, potencial complementar a terapias convencionais — especialmente em quadros refratários. Nosso objetivo no simpósio é discutir essa realidade clínica à luz da ciência baseada em evidências”, diz Dr. Renato Martins, fisiatra e palestrante do simpósio satélite Entourage no 5º CBCM

 

Por que a formulação importa

O uso clínico do canabidiol convive com três limitações documentadas na literatura. A primeira são sintomas gastrointestinais, em especial diarreia, descritos em parcela relevante dos pacientes em uso de formulações orais convencionais à base de óleo. A segunda é o sinal hepático: meta-análise sistemática publicada em 2023 no Journal of Internal Medicine identificou risco aproximadamente cinco a seis vezes maior de elevação significativa de transaminases em pacientes em doses moderadas a altas, quando comparados a placebo.

A terceira são interações farmacocinéticas, decorrentes da inibição de enzimas do citocromo P450 — relevantes em pacientes polimedicados ou em uso de anticonvulsivantes como valproato e clobazam. Essas limitações, somadas, têm motivado uma frente de pesquisa farmacêutica focada não na molécula em si, mas na forma como ela é entregue ao organismo.

 

Tecnologia proprietária e estudo clínico publicado

É nessa frente que se posiciona a Entourage Phytolab, deeptech farmacêutica brasileira de canabinoides, fundada em 2015 pelo advogado de mercado de capitais Caio Abreu — uma das primeiras empresas do país dedicadas a pesquisa e desenvolvimento a partir da planta. A companhia detém a plataforma Fusionner™, sistema proprietário de drug delivery à base de lipídios, com patente pendente no Brasil e nos Estados Unidos.

Diferentemente das formulações oleosas convencionais, a Fusionner™ é hidrossolúvel — característica que abre caminho para administração em meios aquosos, incluindo bebidas, e que tende a oferecer absorção mais consistente.

Os parâmetros farmacocinéticos da plataforma foram publicados pela Entourage em estudo clínico de três braços conduzido em humanos, no International Journal of Pharmaceutics (Elsevier) em 2021. O artigo registra aumento de 53% na biodisponibilidade em relação ao óleo MCT padrão, concentração plasmática de pico duas vezes superior à observada com extrato oleoso de canabidiol e Tmax de 1,6 hora, contra cerca de 4,2 horas em formulações oleosas convencionais.

“Médicos que tratam dor têm limitação no arsenal de tratamentos disponíveis, e cannabis é uma alternativa real. A literatura sobre canabinoides nesse contexto avançou de forma significativa nos últimos anos — o que precisa avançar agora é o lado farmacêutico: formulação, padronização e evidência clínica replicável. Trazer essa discussão ao CBCM, no formato de simpósio satélite conduzido por um clínico experiente, é coerente com a missão da Entourage: oferecer aos médicos e aos pacientes brasileiros alternativas baseadas em evidência e dentro do marco regulatório nacional”, disse Caio Abreu, CEO e fundador da Entourage Phytolab

 

Portfólio em expansão e parcerias internacionais

A Entourage opera no Brasil sob o marco da RDC 660/2022 da Anvisa. Em maio de 2026, anunciou parceria com a HempStreet para distribuição no país da Formulation Femme™, formulação multicomposta voltada à dismenorreia primária que combina canabinoides em baixa dose a ativos ayurvédicos.

A Fusionner™ foi concebida como plataforma — não como produto único — e sua aplicabilidade não se restringe aos canabinoides, abrangendo moléculas com baixa solubilidade aquosa, classe BCS II e peptídeos administrados por via oral.

 

CBCM 2026 como vitrine de uma nova fase

O 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal reforçou seu papel como principal plataforma de discussão científica, regulatória e de mercado da cannabis medicinal na América Latina, em um cenário que exige constante atualização dos profissionais prescritores. Recentemente, a Anvisa atualizou recentemente o marco regulatório com a RDC 1015/2026, ampliando as exigências por evidência clínica no setor.