Política Internacional

Massachusetts pode votar fechamento do mercado de cannabis para uso adulto em 2026

Audiência eleitoral avalia contestação de assinaturas que pode determinar se proposta para encerrar o mercado adulto de cannabis será submetida aos eleitores em novembro

Massachusetts pode votar fechamento do mercado de cannabis para uso adulto em 2026
Massachusetts analisa proposta que pode levar às urnas o encerramento das vendas legais de cannabis para uso adulto | CanvaPro

Massachusetts volta a discutir o futuro de seu mercado regulado. Desta vez, porém, o debate segue em direção oposta. O estado norte-americano poderá levar às urnas uma proposta que prevê o encerramento das vendas regulamentadas de cannabis recreativa e o fim do cultivo doméstico não medicinal.

Segundo o site Canamo, a Comissão de Lei Eleitoral de Massachusetts iniciou a análise da última contestação relacionada à iniciativa denominada “Uma Lei para Restaurar uma Política Sensata sobre a Maconha”. A audiência começou nesta quarta-feira e poderá se estender até os dias 16 e 17 de julho.

O processo não avalia o mérito da proposta, mas a validade das assinaturas apresentadas para que a medida seja incluída na cédula eleitoral de 3 de novembro.

Assinaturas colocam proposta em fase decisiva

De acordo com a Secretaria de Estado de Massachusetts, a Divisão Eleitoral validou 12.551 das 12.889 assinaturas entregues pelos proponentes antes do prazo de 1º de julho. O número supera por pequena margem o mínimo exigido de 12.429 assinaturas.

Segundo o site Canamo, Kevin Gilnack contesta a segunda rodada de assinaturas apresentadas pela campanha. A impugnação alega possíveis falsificações, inconsistências com o cadastro eleitoral, métodos irregulares de coleta e pedidos de retirada de assinatura que não teriam sido atendidos.

Uma contestação anterior contra o primeiro lote de assinaturas já havia sido rejeitada em janeiro.

O que muda se a proposta for aprovada

Caso a medida avance para a votação e seja aprovada pelos eleitores em novembro, ela entrará em vigor em 1º de janeiro de 2028.

O projeto não restabelece uma proibição total da cannabis. O programa medicinal seria mantido, assim como a permissão para que pessoas com mais de 21 anos possuam até 28 gramas sem penalidade.

No entanto, a proposta prevê a revogação das regulamentações que sustentam o mercado adulto, encerrando a venda legal de cannabis recreativa, eliminando o cultivo doméstico não medicinal e permitindo que empresas do setor recreativo solicitem licenças para atuar exclusivamente no mercado medicinal ou transfiram seus estoques existentes.

Mercado consolidado pode voltar às urnas

Massachusetts aprovou o uso adulto da cannabis em 2016 por meio de referendo popular. As primeiras lojas foram inauguradas em novembro de 2018 e, posteriormente, o estado ampliou suas regulamentações para incluir modalidades de consumo social.

Segundo o site Canamo, a eventual votação não trata da criação de um novo mercado, mas da possível desmontagem de uma estrutura já consolidada e que passou por expansões regulatórias ao longo dos últimos anos.

A proposta também chama atenção por contrastar com debates em outros estados norte-americanos, muitos deles voltados à ampliação do acesso legal e à regulamentação do cultivo doméstico.

Debate envolve empregos, arrecadação e programas de equidade

De acordo com a publicação, a campanha favorável à revogação do mercado adulto recebe apoio da organização Smart Approaches to Marijuana, que prometeu contribuições de US$ 1,55 milhão até o final de 2025.

Em resposta, varejistas, profissionais de saúde, autoridades locais e organizações pró-cannabis lançaram no final de junho a campanha Stop the Repeal.

O debate reúne diferentes setores e envolve temas como empregos, arrecadação tributária, regulamentação e o futuro dos programas de equidade social vinculados ao mercado legal.

Por enquanto, a audiência em andamento não definirá o destino do mercado de cannabis para uso adulto em Massachusetts. A decisão imediata será apenas sobre a possibilidade de os eleitores levarem a questão às urnas em novembro. Se isso ocorrer, o estado poderá voltar a votar a cannabis dez anos após sua legalização — desta vez para decidir se o mercado regulado continuará existindo.

Fonte: Canamo