Regulamentação e acesso marcam nova etapa da cannabis medicinal no Brasil

Durante entrevista ao Sechat News, Lucas Fisher analisou os impactos da RDC 1015, os desafios da educação médica e as perspectivas para a ampliação do acesso à cannabis medicinal no Brasil

Publicada em 18/06/2026

Regulamentação e acesso marcam nova etapa da cannabis medicinal no Brasil
Lucas Fisher, CEO da Endogen, durante entrevista ao Sechat News na Cannabis Fair, onde discutiu a RDC 1015 e o acesso à cannabis medicinal no Brasil.

Durante entrevista ao Sechat News na Cannabis Fair, o CEO da Endogen, Lucas Fisher, comentou os impactos da RDC 1015 para o mercado brasileiro de cannabis medicinal e discutiu desafios relacionados ao acesso dos pacientes, à educação médica e à ampliação da distribuição dos produtos no país.

Ao abordar a expansão do setor, Fisher destacou que o custo dos tratamentos ainda representa uma barreira para parte da população brasileira.

“A cannabis ainda é um produto caro. Para a realidade brasileira, um tratamento de R$ 700 ou R$ 800 não é acessível para todo mundo”, afirmou.

Segundo o executivo, a busca por alternativas que ampliem o acesso dos pacientes tem sido uma das principais demandas observadas pelo setor nos últimos anos. Nesse contexto, ele citou a ampliação do portfólio da empresa como parte de uma estratégia voltada à oferta de novas opções terapêuticas para o mercado brasileiro.

 

RDC 1015 e estruturação do mercado

 

Durante a entrevista, Fisher avaliou que a RDC 1015 representa um passo importante para a consolidação da cannabis medicinal no Brasil. Na visão do executivo, a regulamentação tende a trazer maior organização ao setor e estimular o desenvolvimento de novos produtos.

“A RDC 1015 transforma o setor de cannabis em um setor mais estruturado e mais regulado”, disse.

Para ele, a norma também cria condições para avanços em diferentes frentes da cadeia produtiva.

“Ela estimula a inovação por novas apresentações farmacêuticas, estimula a pesquisa, possibilita a produção e garante cada vez mais acesso ao paciente”, afirmou.

A regulamentação, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), trouxe mudanças relacionadas à comercialização e ao acesso aos produtos à base de cannabis, tema que tem sido acompanhado de perto por empresas e profissionais da saúde.

 

Distribuição e educação médica

 

Outro ponto abordado foi o desafio de ampliar a presença dos tratamentos à base de cannabis entre médicos e pacientes. Fisher destacou que a disponibilidade dos produtos no mercado não garante, por si só, o crescimento do setor.

“Não adianta ter o melhor produto na farmácia se ninguém demanda o produto. A demanda médica é um processo complexo e muito caro”, afirmou.

Segundo ele, a educação médica continua sendo uma etapa fundamental para a expansão do mercado. Durante a conversa, o executivo observou que, embora dezenas de milhares de profissionais já tenham realizado prescrições de cannabis em algum momento, o número de médicos que prescrevem regularmente ainda é relativamente reduzido.

“Hoje são cerca de 15 mil médicos que prescrevem todo mês. Existe um potencial muito grande de crescimento”, disse.

 

Prescrição digital e perspectivas para o setor

 

Fisher também destacou as possibilidades abertas pela RDC 1015 em relação à prescrição digital e aos mecanismos de dispensação remota para determinados produtos à base de cannabis.

Na avaliação do executivo, essas mudanças podem contribuir para reduzir barreiras de acesso e facilitar a jornada dos pacientes.

“A possibilidade de prescrever digitalmente esses produtos e entregar o medicamento na casa do paciente vai ajudar, e muito, a estimular o mercado de cannabis medicinal nos próximos anos”, afirmou.

A entrevista foi concedida durante a Cannabis Fair, evento que reuniu empresas, especialistas, profissionais da saúde e representantes da indústria para discutir tendências, desafios regulatórios e perspectivas para o desenvolvimento do mercado de cannabis medicinal no Brasil.