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Síndrome das pernas inquietas: estudo aponta melhora dos sintomas com combinação de THC e CBD

Pesquisa acompanhou pacientes durante 12 semanas e observou melhora na gravidade dos sintomas

Síndrome das pernas inquietas: estudo aponta melhora dos sintomas com combinação de THC e CBD
Paciente com síndrome das pernas inquietas durante a noite; estudo investigou o uso de THC e CBD para aliviar os sintomas | CanvaPro

Há noites em que descansar parece impossível. Para quem convive com a síndrome das pernas inquietas, o desconforto constante transforma o momento de dormir em um desafio constante. Em busca de novas alternativas terapêuticas, pesquisadores investigaram o uso de uma formulação à base de THC e CBD em pacientes com a condição. Os primeiros resultados indicam melhora dos sintomas, mas também reforçam que as evidências ainda são preliminares.

O estudo acompanhou 18 pessoas com síndrome das pernas inquietas durante 12 semanas. Desses participantes, 16 também tinham esclerose múltipla. O tratamento começou com doses de 2,7 miligramas de THC e 2,5 miligramas de CBD, com possibilidade de ajuste a partir da quarta semana.

 

Melhora dos sintomas e do sono

Os participantes apresentaram redução na gravidade da síndrome, medida pela Escala Internacional da Síndrome das Pernas Inquietas (IRLS), tanto após um quanto após três meses de acompanhamento. Também foi observada uma diminuição no tempo em que permaneciam acordados durante a noite depois de adormecer.

Por outro lado, indicadores como a latência para iniciar o sono e a eficiência do sono não apresentaram mudanças estatisticamente significativas.

 

Resultados ainda exigem cautela

De acordo com os autores, o estudo foi realizado sem grupo placebo, randomização ou cegamento, o que impede afirmar que a melhora observada tenha sido causada exclusivamente pela combinação de THC e CBD. Além disso, o número reduzido de participantes limita a avaliação da segurança e de possíveis efeitos adversos menos frequentes.

Um acompanhamento realizado após um ano mostrou que cerca de dois terços dos participantes continuaram utilizando o tratamento e mantiveram as pontuações de melhora. Ainda assim, esses dados consideram apenas quem permaneceu na pesquisa e não contam com um grupo de comparação.

 

Próximo passo será um ensaio clínico maior

Segundo os pesquisadores, novas alternativas são relevantes porque tratamentos convencionais, como os agonistas da dopamina, podem causar agravamento dos sintomas ao longo do tempo em alguns pacientes.

O estudo, financiado pela Fundação de Pesquisa Biomédica do Hospital Universitário La Paz e pela Almirall Pharmaceuticals, destaca que o próximo passo será realizar um ensaio clínico randomizado, controlado por placebo e com um número maior de participantes. Até lá, os resultados representam um sinal clínico promissor, mas ainda insuficiente para recomendar o uso da combinação de THC e CBD no tratamento da síndrome das pernas inquietas.