Desvendando o potencial dos canabinoides no controle de pragas em lavouras
Pesquisa na Universidade Cornell aponta para uma nova fronteira no desenvolvimento de pesticidas naturais

Por João Negromonte com informações de Hemp Today
Os canabinoides presentes na cannabis podem se tornar a base para o desenvolvimento de pesticidas naturais, conforme revelado por uma pesquisa conduzida na Universidade Cornell. Larry Smart, renomado criador de plantas e professor na Escola de Ciência Integrativa de Plantas da instituição de ensino, liderou experimentos que indicam uma relação inversamente proporcional entre a concentração de canabinoides nas folhas de cânhamo, subespécie de cannabis com baixo teor de Tetrahidrocanabinol (THC), e os danos causados por pragas mastigadoras, isto é, aqueles que consomem de partes da planta para se alimentarem.
O estudo não apenas desvenda um possível uso dos derivados da cannabis na proteção de plantas, mas também sugere a criação de pesticidas destinados exclusivamente a cultivos não destinados ao consumo humano. Isso se deve às propriedades farmacológicas dos compostos, como CBDA, THCA e CBGA, produzidos naturalmente pelas plantas e que se convertem em CBD, THC e CBG quando aquecidos.
No âmbito da pesquisa, Smart destaca que os canabinoides atuam como "compostos defensivos", acumulando-se nas flores femininas para proteger as sementes. Embora a especulação sobre esses compostos tenha sido predominante nas últimas décadas, esta pesquisa fornece resultados experimentais abrangentes sobre a relação direta entre a acumulação destas substâncias e os efeitos nocivos sobre insetos.
George Stack, pesquisador de pós-doutorado e um dos autores do estudo, destaca a relevância da pesquisa para o desenvolvimento de novos cultivares de cânhamo compatíveis com THC, mantendo defesas naturais contra herbívoros. O programa de melhoramento de cânhamo Cornell, iniciado em 2017, observou que variedades sem canabinoides eram mais suscetíveis a danos causados por insetos, revelando a eficácia potencial desses compostos.
Entretanto, o estudo enfatiza a necessidade de mais pesquisas para compreender completamente contra quais pragas os canabinoides são eficazes. O pesquisador Stack aponta para possíveis barreiras regulatórias devido às propriedades farmacológicas dos compostos, destacando a importância de estudos futuros para avaliar a eficácia dos canabinoides contra insetos sugadores de seiva, como pulgões.

O desenvolvimento futuro também explorará se outras espécies de plantas que produzem canabinoides, como a planta guarda-chuva lanosa sul-africana, podem beneficiar-se dessas propriedades inseticidas. Caso positivo, isso seria um exemplo notável de evolução convergente em diferentes espécies e locais.
O estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida da Cornell, destacando a diversidade de disciplinas envolvidas, desde entomologia até melhoramento de plantas e biologia vegetal. O projeto foi financiado pelo Departamento de Agricultura e Mercados do Estado de Nova York, através da Empire State Development, consolidando o apoio estadual ao avanço dessa promissora área de pesquisa.
