Ciência & Tecnologia

Adriana Tucci destaca papel da pesquisa científica no avanço da cannabis medicinal no Brasil

Professora e pesquisadora da Unifesp afirma que o setor vive um momento de expansão, impulsionado pelo crescimento das pesquisas, pela diversificação de produtos e pelo fortalecimento das conexões entre especialistas

Adriana Tucci destaca papel da pesquisa científica no avanço da cannabis medicinal no Brasil
Adriana Tucci destaca papel da pesquisa científica no avanço da cannabis medicinal no Brasil

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Adriana Tucci, afirmou que o campo da cannabis medicinal ainda possui muitas questões em aberto e que eventos voltados ao setor são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento científico, a troca de conhecimento e a criação de parcerias entre pesquisadores.

Participando pela terceira vez da Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, Tucci destacou que a busca por novos conhecimentos é um dos principais motivos que a levam ao evento anualmente.

“É uma área que ainda tem muita coisa a ser conhecida e aprendida. A ciência está em eterna evolução e são as perguntas que nos movem. Algumas respostas a gente encontra no congresso, mas essa área ainda tem muitas perguntas em aberto”, afirmou.

Segundo a pesquisadora, o mercado tem ampliado a oferta de produtos à base de cannabis e de fitocanabinoides considerados menores, como CBN e CBG, que antes eram de difícil acesso e, em muitos casos, disponíveis apenas por meio de importação.

“Hoje já conseguimos encontrar algumas associações no Brasil produzindo óleos com esses fitocanabinoides menores, o que representa um avanço importante”, disse.

Para Tucci, além do conteúdo científico, o evento se tornou um espaço estratégico para a aproximação entre profissionais de diferentes áreas, favorecendo o desenvolvimento de pesquisas multidisciplinares.

“É uma área em que precisamos de pesquisadores de múltiplas formações. Esses contatos são importantes para que possamos nos fortalecer, produzir juntos e crescer juntos, porque ainda há muito a ser desbravado”, ressaltou.

 

Busca por tratamentos com menos efeitos adversos

 

A pesquisadora também observou um aumento do interesse da sociedade por terapias que ofereçam menos efeitos adversos em comparação a tratamentos convencionais.

“Tenho percebido uma busca por produtos que possam trazer melhora com menos efeitos adversos. Em alguns casos, a cannabis aparece como uma alternativa complementar e, em determinadas situações, até substitutiva”, afirmou.

Ela lembrou que o proibicionismo dificultou o avanço das pesquisas científicas sobre a planta durante décadas, mas que o cenário começou a mudar a partir dos anos 2000.

“A gente vê um crescimento exponencial das publicações científicas sobre o tema. É um assunto que tem despertado muitos interesses, tanto terapêuticos quanto da indústria”, disse.

 

Mercado em expansão

 

Na avaliação de Tucci, o setor da cannabis medicinal já está consolidado no Brasil, percepção reforçada pela grande participação de profissionais e interessados nos debates científicos promovidos pelo congresso.

“A impressão que tenho é de que as salas estão lotadas o dia todo. Tanto para quem já atua na área quanto para quem deseja conhecê-la, o evento já está bastante consolidado”, afirmou.

A pesquisadora acredita ainda que as recentes mudanças regulatórias no país devem ampliar as possibilidades de pesquisa e facilitar o acesso aos produtos à base de cannabis, contribuindo para a redução de preços e para a expansão do mercado nacional.

“É um mercado que vai crescer muito. E, se tudo caminhar bem, o Brasil pode se tornar uma referência em pesquisa, cultivo e produção de cannabis medicinal”, concluiu.